Um espaço para reinventar Portugal como nação de todo o Mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações e promova os valores mais universalistas, conforme o símbolo da Esfera Armilar. Há que visar o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, orientada não só para o bem da espécie humana, mas também para a preservação da natureza e o bem-estar de todas as formas de vida sencientes.

"Nós, Portugal, o poder ser"

- Fernando Pessoa, Mensagem.

Humanizar a Saúde

No exercício que tenho feito de pensar a saúde, de acordo com as contribuições que tenho recebido, no que respeita ao seu aspecto mais amplo, e quando comparando com aquilo que, como doula, sinto relativamente ao aspecto particular do nascimento e da amamentação, percebi que na realidade aquilo que falta no nosso país, está muito mais relacionado com a tolerância, a aceitação de outros pontos de vista, o olhar para o outro como ser multifacetado e a inclusão de formas alternativas de cuidar a saúde, do que própriamente a carência de "meios" e recursos.


Passo a explicar melhor.


Se analisarmos os aspectos positivos da saúde em Portugal (e peço que me corrijam e completem se estiver enganada), temos:

- Legislação bastante completa, que inclui as medicinas alternativas no sistema nacional de saúde;

- Um esforço actual no sentido de tornar mais permanente o trabalho do médico de família nos centros de saúde;

- Um esforço recente, no sentido de formação de técnicos de saúde, para modificar a forma como se processa o atendimento à grávida e apoio à amamentação;

- O trabalho qualificado, e de qualidade, de alguns enfermeiros-parteiros, que têm assistido aos partos domiciliares, ainda que a nível particular;

- O trabalho qualificado, e de qualidade, de vários médicos e terapeutas alternativos, ainda que a nível particular, que têm dado resposta às necessidades de um crescente número de pessoas que procura soluções diferentes para os seus problemas de saúde;

- O crescente interesse e investimento nos cuidados paliativos;

- A existência de algumas instituições especializadas no auxilio dos doentes e famílias que passam pela experiência de proximidade em relação à morte

Relativamente aos aspectos negativos (novamente peço que me corrijam ou completem, se for necessário):

- Uma carência de humanização nos estabelecimentos de saúde (maternidades, hospitais, centros de saúde), em todos os sectores (acolhimento administrativo, rastreio, atendimento, tratamentos, internamentos, etc..);

- Não regulamentação da legislação que foi referida (pelo que nada do que ela prevê se pratica!);

- Falta de médicos de família....para as famílias;

- Grandes listas de espera;

- As medicinas e terapias alternativas serem só para alguns (os que podem pagar);

- Os partos alternativos serem só para alguns (os que podem pagar);

- Os enfermeiros-parteiros que assistem partos domiciliares são descriminados pelos seus pares;

- Os cuidados paliativos e acompanhamento na morte não têm capacidade para se estender todos os que precisam.

Parece-me, pois, que temos "cá" todos os ingredientes necessários: bons técnicos, boas práticas, bons recursos... apenas o sistema nacional de saúde não foi (ainda) capaz de os assimilar, de forma a generalizar estes conhecimentos alargados, a toda a população.

... o meu lado optimista teima em dizer: nada mau, podia ser pior!

Por isso, e seguindo o mote sugerido por P.F. Antunes, julgo que poderíamos pegar nesta proposta para a saúde com o seguinte lema:

Saúde em Portugal: Humanizar no Principio, no Meio e no Fim

Lendo-se, no nascimento (principio), na saúde familiar (meio) e nos cuidados paliativos e assistência na morte (fim).

Penso que é isso que falta: olhar para o outro como pessoa, em vez de o olhar como um número ou como um sintoma; olhar para o outro com respeito, com compreensão e compaixão, aceitando e valorizando os seus sentimentos e opções... tudo isto à luz dos mais avançados dados científicos, que mostram como a mente influencia intimamente as "respostas" corporais (sendo por isso impensável não olhar para ela quando pretendemos curar o corpo) e como determinadas práticas, às quais médicos e enfermeiros se têm vindo a habituar sem questionar, são desnecessárias ou mesmo contraproducentes.

Fico à espera dos vossos comentários.

1 comentários:

Laura disse...

Nós temos, em Portugal, a primeira universidade de medicina tradicional chinesa da Europa, muito graças aos esforços do Dr. Pedro Choi. Uma das coisas que este movimento podia tentar, ou uma das primeiras propostas, seria legislar no sentido de se incluir os médicos formados em MTC no sistema de Saúde Público, obrigatoriamente, pois é a única forma de dar um real acesso às pessoas. A outra terapia reconhecida em Portugal é a osteopatia. Também devia haver osteopatas em todos os hospitais do estado e pelo menos um osteopata e um médico de MTC em todos os centros de saúde.

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Humanizar a Saúde

No exercício que tenho feito de pensar a saúde, de acordo com as contribuições que tenho recebido, no que respeita ao seu aspecto mais amplo, e quando comparando com aquilo que, como doula, sinto relativamente ao aspecto particular do nascimento e da amamentação, percebi que na realidade aquilo que falta no nosso país, está muito mais relacionado com a tolerância, a aceitação de outros pontos de vista, o olhar para o outro como ser multifacetado e a inclusão de formas alternativas de cuidar a saúde, do que própriamente a carência de "meios" e recursos.


Passo a explicar melhor.


Se analisarmos os aspectos positivos da saúde em Portugal (e peço que me corrijam e completem se estiver enganada), temos:

- Legislação bastante completa, que inclui as medicinas alternativas no sistema nacional de saúde;

- Um esforço actual no sentido de tornar mais permanente o trabalho do médico de família nos centros de saúde;

- Um esforço recente, no sentido de formação de técnicos de saúde, para modificar a forma como se processa o atendimento à grávida e apoio à amamentação;

- O trabalho qualificado, e de qualidade, de alguns enfermeiros-parteiros, que têm assistido aos partos domiciliares, ainda que a nível particular;

- O trabalho qualificado, e de qualidade, de vários médicos e terapeutas alternativos, ainda que a nível particular, que têm dado resposta às necessidades de um crescente número de pessoas que procura soluções diferentes para os seus problemas de saúde;

- O crescente interesse e investimento nos cuidados paliativos;

- A existência de algumas instituições especializadas no auxilio dos doentes e famílias que passam pela experiência de proximidade em relação à morte

Relativamente aos aspectos negativos (novamente peço que me corrijam ou completem, se for necessário):

- Uma carência de humanização nos estabelecimentos de saúde (maternidades, hospitais, centros de saúde), em todos os sectores (acolhimento administrativo, rastreio, atendimento, tratamentos, internamentos, etc..);

- Não regulamentação da legislação que foi referida (pelo que nada do que ela prevê se pratica!);

- Falta de médicos de família....para as famílias;

- Grandes listas de espera;

- As medicinas e terapias alternativas serem só para alguns (os que podem pagar);

- Os partos alternativos serem só para alguns (os que podem pagar);

- Os enfermeiros-parteiros que assistem partos domiciliares são descriminados pelos seus pares;

- Os cuidados paliativos e acompanhamento na morte não têm capacidade para se estender todos os que precisam.

Parece-me, pois, que temos "cá" todos os ingredientes necessários: bons técnicos, boas práticas, bons recursos... apenas o sistema nacional de saúde não foi (ainda) capaz de os assimilar, de forma a generalizar estes conhecimentos alargados, a toda a população.

... o meu lado optimista teima em dizer: nada mau, podia ser pior!

Por isso, e seguindo o mote sugerido por P.F. Antunes, julgo que poderíamos pegar nesta proposta para a saúde com o seguinte lema:

Saúde em Portugal: Humanizar no Principio, no Meio e no Fim

Lendo-se, no nascimento (principio), na saúde familiar (meio) e nos cuidados paliativos e assistência na morte (fim).

Penso que é isso que falta: olhar para o outro como pessoa, em vez de o olhar como um número ou como um sintoma; olhar para o outro com respeito, com compreensão e compaixão, aceitando e valorizando os seus sentimentos e opções... tudo isto à luz dos mais avançados dados científicos, que mostram como a mente influencia intimamente as "respostas" corporais (sendo por isso impensável não olhar para ela quando pretendemos curar o corpo) e como determinadas práticas, às quais médicos e enfermeiros se têm vindo a habituar sem questionar, são desnecessárias ou mesmo contraproducentes.

Fico à espera dos vossos comentários.

1 comentários:

Laura disse...

Nós temos, em Portugal, a primeira universidade de medicina tradicional chinesa da Europa, muito graças aos esforços do Dr. Pedro Choi. Uma das coisas que este movimento podia tentar, ou uma das primeiras propostas, seria legislar no sentido de se incluir os médicos formados em MTC no sistema de Saúde Público, obrigatoriamente, pois é a única forma de dar um real acesso às pessoas. A outra terapia reconhecida em Portugal é a osteopatia. Também devia haver osteopatas em todos os hospitais do estado e pelo menos um osteopata e um médico de MTC em todos os centros de saúde.

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