Um espaço para reinventar Portugal como nação de todo o Mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações e promova os valores mais universalistas, conforme o símbolo da Esfera Armilar. Há que visar o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, orientada não só para o bem da espécie humana, mas também para a preservação da natureza e o bem-estar de todas as formas de vida sencientes.

"Nós, Portugal, o poder ser"

- Fernando Pessoa, Mensagem.
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Em direcção ao altruísmo: os sentimentos compassivos

As emoções unem e dividem o mundo no qual vivemos desencadeando o melhor e o pior nos nossos comportamentos, seja a uma escala pessoal e privada, seja a uma escala global.
Sem emoções não haveria lugar para o amor, a empatia, a compaixão, o heroísmo, mas também não haveria crueldade, maldade, ódio.
O encontro entre Paul Ekman (psicólogo com obra vasta na área das emoções) e o Dalai Lama traduziu-se numa obra conjunta “Emotional Awareness “ na qual a questão de fundo foi justamente esta: Como resolver o padrão conflitivo das emoções e lançar pistas para um mundo globalmente mais compassivo e equilibrado emocionalmente ?
1ª constatação: o problema do nosso tempo. A educação é orientada para o individualismo, o egoísmo e a competição. Em termos globais, as relações internacionais baseiam-se na rivalidade- a Ásia rivaliza com o Ocidente e procura “ganhar a corrida”. Por outro lado, expande-se a consciência da interconexão e interdependência dos diferentes planos e seres da existência no sentido de uma representação tendencialmente budista do mundo, do planeta. O problema reside na recusa dos políticos em seguir essa consciência.
Por conseguinte, assiste-se hoje, a duas forças antagónicas em conflito: uma historicamente enraizada impregnando o tecido político-económico, a outra emergindo como necessidade e hiper-consciência a partir dos destroços provocados por aquela.
A resolução positiva deste conflito precisa de equacionar com seriedade o grau de sofrimento e destruição globais provocados pelo domínio de emoções negativas e re-orientar a perspectiva do mundo para a riqueza das emoções positivas , como a compaixão e a solidariedade, em termos de benefícios globais.
Do ponto de vista budista tal significa a assunção de uma consciência global, ou seja, uma consciência não confinada a aspectos pontuais e particulares da existência de tal forma que, em termos pessoais, o ser é capaz de encarar o desaire, seja a dor ou a frustração, não confinado a uma instância presente específica onde adquire uma dimensão total e absoluta que é fonte permanente de sofrimento e inquietação. Uma educação dirigida para este tipo de consciência e cujo enfoque valorize as emoções positivas é fundamental para que, em termos globais, haja mudanças estruturais significativas.
Daqui decorre uma segunda constatação: a cultura da compaixão.
Na prática da meditação budista há, num 1º momento, uma reflexão profunda sobre a negatividade de uma consciência limitada e auto-centrada para a compreensão do potencial positivo e fecundo de uma consciência centrada no outro. A partir dessas reflexões, a compaixão torna-se uma cultura na prática budista.
Para uma educação alargada de uma cultura de compaixão é necessário compreender , em 1º lugar, que sem o interesse próprio não há determinação para o desenvolvimento do ser (quer pessoal, quer civilizacional) , mas há que compreender também que o auto-centramento exclusivo é nocivo, pois não passa de egoísmo cego e primitivo. É fundamental também levar as pessoas a entender a compaixão não do ponto de vista de uma bela ideia, de um nobre ideal, mas do ponto de vista de uma apreciação ancorada na realidade, cujo potencial fecundo a torna necessária e urgente.
No entanto, como é possível esta tarefa de reconversão de valores a uma escala global? Será que os americanos, por exemplo, estarão dispostos a abdicar do consumo exorbitante de petróleo, ou os ocidentais, em geral, a abandonar dietas ricas em proteínas animais ou, ainda, os ricos a prescindir das suas vidas de luxo? Enfim, como será possível partilhar os recursos mundiais quando se tem uma civilização assente na inequidade ?
3ª constatação: a sustentabilidade do modus-vivendi actual.
O ponto de partida dessa mudança e que as pessoas precisam compreender é, justamente, a sustentabilidade dos seus próprios modos de vida consumistas e egoístas. Se continuarmos com estes padrões de consumo, quanto tempo durarão ainda?
Se eu pensar nesta questão a sério, então talvez conclua que será melhor diminuir os meus padrões de consumo de forma a possibilitar aos meus filhos e netos uma vida com uma dívida menos pesada. Daí que talvez o sentido da compaixão para com os meus mais próximos possa constituir uma ajuda na salvação do mundo.
Temos de partir deste primeiro nível – a família- sem esperar que o mundo inteiro vá seguir nesta direcção. No entanto, a responsabilidade de pensadores, políticos e franjas mais esclarecidas da sociedade civil é a de fazer o melhor que podem no sentido de criar um amanhã sustentável. E é urgente perceber que esta sustentabilidade exige uma reconversão axiológica e emocional pois ela não poderá ser atingida sem uma cultura de compaixão, sem uma consciência expandida que pensa o outro e se preocupa com ele.

Sociedade de Ética Ambiental

Aceitam?

Não aceito!
.... e vocês?

http://docs.google.com/present/view?id=ddsf55ft_0pvt4wxg7&interval=10&autoStart=true&loop=true

.

A Indisciplina nas Escolas

Entrevista: Julio Groppa Aquino, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA ESCOLAR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, em São Paulo, Julio Groppa Aquino, 45 anos, desde o ano passado se incumbe de uma pesquisa monumental com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): compilar e analisar toda a produção acadêmica brasileira sobre disciplina escolar surgida desde os anos 80. Com dois livros já publicados sobre o assunto, o especialista se considera uma voz dissonante em relação ao coro de educadores que vê nos alunos a origem dos conflitos em sala de aula.

Perguntado sobre como resolver os problemas de indisciplina nas escolas:

"Aquino – Precisam ser resolvidos criativamente. Eu não tenho uma fórmula pronta para isso. É como querer resolver um problema conjugal. O que eu posso fazer é discutir o princípio, o princípio democrático das escolas. Quando educadores, em quase sua totalidade, dizem que não estamos sabendo lidar com as crianças, isso não é estranho? Não podemos dizer que elas não têm jeito. Há um subtexto conspiratório contra a criança e a juventude de parte dos educadores e repetido pela mídia.

ZH – Quais as consequências?
Aquino – Dizem que precisamos excluir crianças, mandar para conselho tutelar, mandar para a polícia. Isso é a morte da educação. Todos dizem que educar virou uma missão impossível. Então, fecha a bodega. Há um ninho de preconceitos e jargões nessa discussão. Liga para uma psicopedagoga e ela vai te dizer: “a criança padece de falta de limites”. Não podemos acusar a criança pelo que não sabemos fazer. Nós somos os educadores, caramba.

ZH – É necessária uma mudança de mentalidade?
Aquino – Tem um bando de educadores dizendo que não consegue educar. É a mesma coisa que você me dizer que não dá para ser jornalista no mundo de hoje. A educação é o setor mais em frangalhos no país, mas todo mundo acha que já fez a sua parte. Esse estado de calamidade interpessoal nas escolas não tem nada de trágico, nós é que provocamos. A educação que temos é a que nós fizemos. A mudança de mentalidade só se faz com choque de ideias. Não vou compactuar com o discurso de que as novas gerações são doentes. Então vamos parar de ter filhos. Ou só o filho dos outros que é doente? Me recuso a culpar as novas gerações."

Ler mais: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/oxdaeducacao/19,0,2426217,Me-recuso-a-culpar-as-novas-geracoes.html

A actual civilização cumpre o seu destino: ser a condição galopante da sua própria impossibilidade

O fracasso da cimeira de Copenhaga torna evidente que os estados nacionais e os poderes político-económicos mundiais não servem os interesses da população humana e dos seres vivos e sencientes no planeta.

A actual civilização cumpre o seu destino: ser a condição galopante da sua própria impossibilidade. O que é uma excelente notícia, não fora o sofrimento que causa e causará a milhões de seres...

umoutroportugal.blogspot.com

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As emoções unem e dividem o mundo no qual vivemos desencadeando o melhor e o pior nos nossos comportamentos, seja a uma escala pessoal e privada, seja a uma escala global.
Sem emoções não haveria lugar para o amor, a empatia, a compaixão, o heroísmo, mas também não haveria crueldade, maldade, ódio.
O encontro entre Paul Ekman (psicólogo com obra vasta na área das emoções) e o Dalai Lama traduziu-se numa obra conjunta “Emotional Awareness “ na qual a questão de fundo foi justamente esta: Como resolver o padrão conflitivo das emoções e lançar pistas para um mundo globalmente mais compassivo e equilibrado emocionalmente ?
1ª constatação: o problema do nosso tempo. A educação é orientada para o individualismo, o egoísmo e a competição. Em termos globais, as relações internacionais baseiam-se na rivalidade- a Ásia rivaliza com o Ocidente e procura “ganhar a corrida”. Por outro lado, expande-se a consciência da interconexão e interdependência dos diferentes planos e seres da existência no sentido de uma representação tendencialmente budista do mundo, do planeta. O problema reside na recusa dos políticos em seguir essa consciência.
Por conseguinte, assiste-se hoje, a duas forças antagónicas em conflito: uma historicamente enraizada impregnando o tecido político-económico, a outra emergindo como necessidade e hiper-consciência a partir dos destroços provocados por aquela.
A resolução positiva deste conflito precisa de equacionar com seriedade o grau de sofrimento e destruição globais provocados pelo domínio de emoções negativas e re-orientar a perspectiva do mundo para a riqueza das emoções positivas , como a compaixão e a solidariedade, em termos de benefícios globais.
Do ponto de vista budista tal significa a assunção de uma consciência global, ou seja, uma consciência não confinada a aspectos pontuais e particulares da existência de tal forma que, em termos pessoais, o ser é capaz de encarar o desaire, seja a dor ou a frustração, não confinado a uma instância presente específica onde adquire uma dimensão total e absoluta que é fonte permanente de sofrimento e inquietação. Uma educação dirigida para este tipo de consciência e cujo enfoque valorize as emoções positivas é fundamental para que, em termos globais, haja mudanças estruturais significativas.
Daqui decorre uma segunda constatação: a cultura da compaixão.
Na prática da meditação budista há, num 1º momento, uma reflexão profunda sobre a negatividade de uma consciência limitada e auto-centrada para a compreensão do potencial positivo e fecundo de uma consciência centrada no outro. A partir dessas reflexões, a compaixão torna-se uma cultura na prática budista.
Para uma educação alargada de uma cultura de compaixão é necessário compreender , em 1º lugar, que sem o interesse próprio não há determinação para o desenvolvimento do ser (quer pessoal, quer civilizacional) , mas há que compreender também que o auto-centramento exclusivo é nocivo, pois não passa de egoísmo cego e primitivo. É fundamental também levar as pessoas a entender a compaixão não do ponto de vista de uma bela ideia, de um nobre ideal, mas do ponto de vista de uma apreciação ancorada na realidade, cujo potencial fecundo a torna necessária e urgente.
No entanto, como é possível esta tarefa de reconversão de valores a uma escala global? Será que os americanos, por exemplo, estarão dispostos a abdicar do consumo exorbitante de petróleo, ou os ocidentais, em geral, a abandonar dietas ricas em proteínas animais ou, ainda, os ricos a prescindir das suas vidas de luxo? Enfim, como será possível partilhar os recursos mundiais quando se tem uma civilização assente na inequidade ?
3ª constatação: a sustentabilidade do modus-vivendi actual.
O ponto de partida dessa mudança e que as pessoas precisam compreender é, justamente, a sustentabilidade dos seus próprios modos de vida consumistas e egoístas. Se continuarmos com estes padrões de consumo, quanto tempo durarão ainda?
Se eu pensar nesta questão a sério, então talvez conclua que será melhor diminuir os meus padrões de consumo de forma a possibilitar aos meus filhos e netos uma vida com uma dívida menos pesada. Daí que talvez o sentido da compaixão para com os meus mais próximos possa constituir uma ajuda na salvação do mundo.
Temos de partir deste primeiro nível – a família- sem esperar que o mundo inteiro vá seguir nesta direcção. No entanto, a responsabilidade de pensadores, políticos e franjas mais esclarecidas da sociedade civil é a de fazer o melhor que podem no sentido de criar um amanhã sustentável. E é urgente perceber que esta sustentabilidade exige uma reconversão axiológica e emocional pois ela não poderá ser atingida sem uma cultura de compaixão, sem uma consciência expandida que pensa o outro e se preocupa com ele.

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.... e vocês?

http://docs.google.com/present/view?id=ddsf55ft_0pvt4wxg7&interval=10&autoStart=true&loop=true

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Entrevista: Julio Groppa Aquino, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA ESCOLAR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, em São Paulo, Julio Groppa Aquino, 45 anos, desde o ano passado se incumbe de uma pesquisa monumental com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): compilar e analisar toda a produção acadêmica brasileira sobre disciplina escolar surgida desde os anos 80. Com dois livros já publicados sobre o assunto, o especialista se considera uma voz dissonante em relação ao coro de educadores que vê nos alunos a origem dos conflitos em sala de aula.

Perguntado sobre como resolver os problemas de indisciplina nas escolas:

"Aquino – Precisam ser resolvidos criativamente. Eu não tenho uma fórmula pronta para isso. É como querer resolver um problema conjugal. O que eu posso fazer é discutir o princípio, o princípio democrático das escolas. Quando educadores, em quase sua totalidade, dizem que não estamos sabendo lidar com as crianças, isso não é estranho? Não podemos dizer que elas não têm jeito. Há um subtexto conspiratório contra a criança e a juventude de parte dos educadores e repetido pela mídia.

ZH – Quais as consequências?
Aquino – Dizem que precisamos excluir crianças, mandar para conselho tutelar, mandar para a polícia. Isso é a morte da educação. Todos dizem que educar virou uma missão impossível. Então, fecha a bodega. Há um ninho de preconceitos e jargões nessa discussão. Liga para uma psicopedagoga e ela vai te dizer: “a criança padece de falta de limites”. Não podemos acusar a criança pelo que não sabemos fazer. Nós somos os educadores, caramba.

ZH – É necessária uma mudança de mentalidade?
Aquino – Tem um bando de educadores dizendo que não consegue educar. É a mesma coisa que você me dizer que não dá para ser jornalista no mundo de hoje. A educação é o setor mais em frangalhos no país, mas todo mundo acha que já fez a sua parte. Esse estado de calamidade interpessoal nas escolas não tem nada de trágico, nós é que provocamos. A educação que temos é a que nós fizemos. A mudança de mentalidade só se faz com choque de ideias. Não vou compactuar com o discurso de que as novas gerações são doentes. Então vamos parar de ter filhos. Ou só o filho dos outros que é doente? Me recuso a culpar as novas gerações."

Ler mais: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/oxdaeducacao/19,0,2426217,Me-recuso-a-culpar-as-novas-geracoes.html

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O fracasso da cimeira de Copenhaga torna evidente que os estados nacionais e os poderes político-económicos mundiais não servem os interesses da população humana e dos seres vivos e sencientes no planeta.

A actual civilização cumpre o seu destino: ser a condição galopante da sua própria impossibilidade. O que é uma excelente notícia, não fora o sofrimento que causa e causará a milhões de seres...

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