Um espaço para reinventar Portugal como nação de todo o Mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações e promova os valores mais universalistas, conforme o símbolo da Esfera Armilar. Há que visar o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, orientada não só para o bem da espécie humana, mas também para a preservação da natureza e o bem-estar de todas as formas de vida sencientes.

"Nós, Portugal, o poder ser"

- Fernando Pessoa, Mensagem.
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A religião, o homem e o animal

"O terem sido criados à imagem e semelhança de Deus os faz comparar-se não com Ele, mas com o ser vivo que se lhes segue na escala. Não encetam por essa reflexão o caminho que lhes permitiria superar-se: dele se afastam, porque vão apenas afirmar uma superioridade própria sobre o bicho, e, indo além do que lhes ordena a necessidade histórica, se julgam no pleno direito de o escravizar e utilizar a seu belo prazer"

- Agostinho da Silva, “Semelhança de Deus”, As Aproximações [1960], in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 26.

"...português, na sua plena forma brasileira"

"Claro que sou cristão; e outra coisas, por exemplo budista, o que é, para tantos, ser ateísta; ou, outro exemplo, pagão. O que, tudo junto, dá português, na sua plena forma brasileira"

- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 175.

Contribuição de Luís Resina: Manifesto para a paz global



O Papel da Crise ao Nível Individual e Global

As mudanças externas que estamos a assistir no mundo funcionam como um catalisador para as mudanças dentro de nós.
Os pressupostos e as demonstrações da física quântica, permitem-nos dizer, que os nossos pensamentos, emoções e actos têm a capacidade de influenciar os átomos da matéria.

O Papel do Sentimento, a Inteligência Emocional

Já foi provado por cientistas que a energia do coração humano gera um campo magnético mais forte 5000 vezes que o cérebro. O sentimento colectivo exerce efeito sobre o campo geomagnético da Terra. Uma mudança no nosso modo de sentir a nós mesmo e ao colectivo, possui o potencial para afectar o nosso mundo no sentido quer subjectivo quer objectivo.
Gregg Barden - “Fractal Time”.

Dirigimo-nos para um ponto de convergência e de aglutinação onde as coisas têm de ser transmutadas, o “Status Quo”, assente na Economia, na Política, na Ciência e na Religião necessita de ser renovado urgentemente.
O estrangulamento do tempo, da economia, dos recursos naturais e de uma vida desvinculada dos ritmos cósmicos tornar-se-á insustentável dentro de poucos anos, a não ser, que voltemos rapidamente o nosso olhar para a Essência que sustêm o Mundo.
Essa Essência apresenta-se sob a forma de Luz (informação e conhecimento), Amor (coesão e sustentabilidade) e Partilha (abundância e alegria), estas serão na minha perspectiva as pedras basilares de uma nova "Ecologia do Ser.

É urgente a construção rápida de novos paradigmas através da prática de um Neo-humanismo assente numa Ecologia do Ser.
Isso implica uma maior solidariedade entre os grupos económicos, políticos, sociais e religiosos, e estes necessitam de estar em sintonia com valores espirituais e universais. A abordagem a este novo tipo de consciência pretende vir a mostrar-se como uma alternativa a um materialismo que tem vindo a exaurir os recursos, não só do planeta como do próprio ser humano. Isso só poderá ser feito por todos aqueles que estão conscientes destes desafios. O objectivo será intuirmos as grandes ideias centrais que servirão de alternativa à crise global , não confinada apenas ao campo económico, mas também à área social, aos valores humanos e à necessidade de implementação de uma nova espiritualidade.

É a hora de acordar o espírito co-criador que reside em cada um de nós!

Manifesto para a Paz Global

Reunidos na cidade de Caracas, Venezuela, em 24 de Novembro de 2002, no marco do Terceiro Encontro da Rede Ibero americana de Luz, foi declarado o seguinte:

Há uma única pátria: o Cosmos.
Há uma única nação: a Terra.
Há uma única família: a Humanidade.
Há uma única verdade: a Vida, expressando-se de acordo com uma ordem superior e infinita.
Há uma única religião: o Amor.
Há uma única essência: a Luz Eterna que gera a vida.
Há uma única ciência: a Universalidade.
Há uma única meta: a Paz em unidade com todos os seres.
Há um único destino: a Evolução.
Há um só tempo: o Acorde dos ritmos naturais.

Este chamado de consciência é dirigido a todas as instâncias nacionais e internacionais, grupos, organizações e pessoas que sabem que um mundo melhor é possível e também àquelas que:

  • Transcendem seus valores trabalhando em si mesmas;
  • Manifestam disposição de serviço à humanidade e ao planeta;
  • Aceitam unir-se a outras pessoas em acções conjuntas;
  • Vinculam-se mediante o poder do pensamento sinérgico;
  • Efectuam a sincronização de propósitos em pensamento, emoção e acção;
  • Geram convergências planetárias de consciência comunicando-se por diferentes meios e sobre diferentes temas afins;
  • Usam seu potencial criador para gerar a aceleração da transformação planetária.

Autor: Luís Resina

Inaugurada primeira mesquita no Arquipélago da Madeira [14.12.2009]


A primeira mesquita no Arquipélago da Madeira e 34ª em Portugal foi hoje inaugurada, recordando o imã local, Abdel Lasri, que a comunidade islâmica se reunia há cerca de cinco anos num apartamento no Funchal.

Na cerimónia, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim agradeceu o “trabalho desenvolvido pela comunidade islâmica em prol da Região e a forma generosa como se integrou com o povo da Madeira”.

Alberto João Jardim criticou o facto das actuais sociedades terem “caído no materialismo despido de humanismo”, comentando: “Apesar da Europa ter atingido o desenvolvimento, a perda dos valores da espiritualidade acabará por ser a decadência de uma forma de viver”.

O presidente da comunidade islâmica em Lisboa, Abdool Karim Vakil, considerou, por seu lado, que “Portugal é um exemplo ímpar de respeito mútuo e convívio harmonioso entre etnias, que vivem lado a lado, contribuindo para o desenvolvimento da Madeira”.

Salientou que esta inauguração surge num “contexto europeu algo estranho, onde existem manifestações de xenofobia e islamofobia”.

Para ele, “todas as religiões são caminhos diferentes que nos conduzem ao mesmo Deus”. Apelou ao esforço de todos, no sentido de “transformarem as espadas em arados, fazendo do actual mundo de desavenças um lugar melhor”.

A cerimónia de inauguração da mesquita contou com a presença dos embaixadores do Irão, Arábia Saudita e representantes da Líbia, e elementos de diversas religiões da Madeira.

Em declarações à agência Lusa, o imã da Madeira, Abdel Lasri, referiu que a comunidade islâmica “está a crescer e agora tem mais condições para receber as diferentes culturas, o que é importante para ligação com a comunidade madeirense”.

Adiantou que o grupo é composto por cerca de 700 pessoas, sendo a maioria africana mas existindo também cidadãos do Paquistão, Cazaquistão, Bangladesh, Índia e alguns árabes.

“Esta é uma evolução extraordinária, porque o anterior espaço era reduzido, sem condições e esta é uma outra visão do ponto de vista da prática do culto”, acrescentou o presidente da comunidade islâmica, Abdoul Karim.

fonte: http://www.destak.pt/artigo/48110

Portugal - Terra de Iniciação

Como limite, junto a um território ignoto ou interdito, perigoso, defendido pela água, as trevas e os montros inonimados, Portugal teria em Sagres o ponto máximo, abruptamente cortado em falésia, que marcará o fim do mundo: ponto onde se encontra a terra dos vivos e a terra dos mortos, o conhecido e o desconhecido, este mundo e o Outro Mundo.

Daí partirão os seus caminhos ignotos e começarão as provas que todo o herói pretendendo penetrar nos mistérios desse Outro Mundo e daí trazer os seus tesouros, tem de percorrer e vencer.

Por isso, desde a nossa proto-história, há testemunhos em Sagres - S. Vicente, dum culto a Crono, o deus da Idade de Ouro, ou da terra paradisíaca da humanidade, e dum culto a Hércules, o herói que desceu aos Infernos, venceu o monstro seu guardador, Cérbero, e conquistou ao Dragão os Pomos de Ouro das Hespérides. E será daqui, deste extremo pátrio dum território extremo eurásico, donde mais tarde partirão os argonautas para a nova aventura, que vencerão os monstros do Mar Tenebroso, conquistarão o ouro da Índia e aportarão às Ilhas Afortunadas como «ilha divina».

Por isso, como terra limite, debruçada sobre esse Mar Tenebroso, aporia humana e terrestre, no espaço e no tempo, na geografia e na história, Portugal estaria desde logo vocacionado para ser terra de iniciação.

Dalila Pereira da Costa, Da Serpente à Imaculada, Porto, Lello e Irmão Editores, 1984, pp.15-16

E isto? Não vos diz nada??




Os suíços decidiram hoje [29/11/2009] em referendo proibir a construção de minaretes (torres das mesquitas), com 57 por cento dos votantes a pronunciarem-se nesse sentido, segundo os resultados definitivos do escrutínio.

Apenas quatro cantões nos 26 que integram a Confederação rejeitaram a proposta apoiada pelo partido UDC, da direita populista, e pelo pequeno partido cristão de direita UDF.

A votação provocará mudanças no artigo 72 da Constituição suíça que regula as relações entre o Estado e as religiões. A proibição de construção de minaretes será apresentada no documento como uma medida 'para manter a paz entre os membros das diversas comunidades religiosas'.

Os analistas foram unânimes em qualificar o resultado de 'grande surpresa', pois contradiz as sondagens feitas durante a campanha para o referendo que apontavam para uma rejeição de 53 por cento dos votantes da proposta da direita populista.

O UDC, que não perde uma ocasião para incitar o medo do estrangeiro, convenceu assim uma maioria de suíços ao acusar os minaretes de serem o 'símbolo aparente de uma reivindicação político-religiosa de poder, que põe em causa os direitos fundamentais'.

O intelectual muçulmano Tariq Ramadan considerou 'catastrófico' o resultado do referendo. Para Ramadan, que vive em Genebra e ensina na Universidade de Oxford, 'os suíços exprimiram um verdadeiro medo, um questionamento profundo sobre o assunto do Islão na Suíça'.

O partido Os Verdes declarou considerar a apresentação de um recurso perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo por violação da liberdade religiosa garantida pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Da religião

A religião, que supostamente nos ajuda a cultivar esta atitude [o senso da sagrada inviolabilidade de cada ser humano],  muitas vezes parece reflectir a violência e o desespero dos nossos tempos. Quase todos os dias vemos exemplos de terrorismo, ódio e intolerância por motivos religiosos. As pessoas, em número crescente, acham as doutrinas e práticas religiosas tradicionais irrelevantes e destituídas de credibilidade e voltam-se para a arte, a música, a literatura, a dança, o desporto ou as drogas, para conseguirem a experiência transcendental de que os seres humanos parecem necessitar. Todos nós buscamos momentos de êxtase e arrebatamento, quando habitamos a nossa humanidade mais integralmente do que é costume e nos sentimos muitíssimo tocados interiormente e, por momentos, elevados acima de nós mesmos.

Karen Armstrong

Do Diálogo Inter-Religioso

Embora não ache aconselhável que as pessoas abandonem a sua religião de origem, acredito que o praticante de uma determinada tradição pode incorporar na sua prática métodos de transformação espiritual pertencentes a outras tradições. Por exemplo, alguns dos meus amigos cristãos, embora profundamente fiéis à sua tradição, incorporam na sua prática antigos métodos indianos para cultivar a concentração num só ponto através da meditação. Utilizam também métodos budistas para treinar o espírito através da meditação, visualizações para cultivar a compaixão e práticas que ajudam a cultivar a paciência. Estes cristãos sinceros permanecem fiéis à sua tradição espiritual, embora adoptando aspectos e métodos pertencentes a outros ensinamentos. Acho que é benéfico e parece-me bastante sensato da sua parte.

Penso que esta atitude deve ser recíproca, e que os budistas também podem incorporar certos elementos da tradição cristã na sua prática. Por exemplo, a tradição do serviço prestado à comunidade. Na tradição cristã, os monges e as monjas têm uma longa história de serviço comunitário, em especial no campo da educação e da saúde. Na área do serviço social prestado à comunidade, o budismo vem muito atrás do cristianismo. Um amio meu, alemão e budista, fez-me notar que, apesar de terem sido construído muitos mosteiros tibetanos nos últimos anos no Nepal, apenas um punhado deles construiu escolas e hospitais. Se se tratasse de mosteiros cristãos, dizia ele, decerto que a esse número crescente de mosteiros corresponderia um número igualmente crescente de escolas e de serviços de saúde. Enquanto budista, não pude deixar de concordar com ele. Não há dúvida de que os budistas têm muito a aprender com os cristão no que respeita ao serviço social.

Alguns amigos meus cristãos manifestaram um profundo interesse pelo pelo conceito budista de vacuidade. Dise-lhes, porém, que o ensinamento sobre a vacuidade -  o facto de as coisas serem desprovidas de realidade absoluta e independente - é específico do budismo e que, por coneguinte, talvez não seja aconselhável, a um cristão que queira permanecer fiel à sua tradição, aprofundar demasiado este aspecto do ensinamento budista. A razão para esta advertência é que o facto de aprofundar os ensinamentos budistas sobre a vacuidade e procurar segui-los pode comprometer a fé no Criador, um ser absoluto, independente, eterno, ou seja, o oposto da vacuidade.

Muitas pessoas sentem um grande respeito pelo budismo e pelo cristianismo, em particular pelos ensinamentos de Buda Shakyamuni e de Jesus Cristo. Sem dúvida que é muito importante respeitar os mestres e os ensinamentos de todas as religiões e é possível, numa fase inicial, praticar o budismo e o cristianismo ao mesmo tempo. Mas, se quisermos aprofundar o nosso caminho espiritual, vai ser ncessário, a dada altura, comprometermo-nos de forma mais profunda com um deles e com a sua metafísica própria.

Sua Santidade o Dalai Lama, O Coração da Sabedoria, Cascais, Editora Pergaminho, 2008, pp.24-26

"Cada religião é a única verdadeira..."

"Cada religião é a única verdadeira, ou seja, no momento em que nela pensamos é necessário prestar-lhe tamanha atenção como se não houvesse outra coisa; do mesmo modo cada paisagem, cada quadro, cada poema, etc., é o único que é belo. A "síntese" das religiões implica uma qualidade de atenção inferior"

- Simone Weil, Cahier VI, Oeuvres, Paris, Gallimard, 1999, p.848.

Não posso deixar de fazer deste reparo um reparo às tendências sincretistas de algum Fernando Pessoa e de algum Agostinho da Silva, que passa a meio caminho entre elas e o fundamentalismo dogmático da crença numa única religião verdadeira. Não parece possível seguir uma qualquer via religiosa ou mesmo espiritual sem uma dedicação e concentração totais, sabendo e aceitando ao mesmo tempo que outros podem e devem fazer o mesmo com outras vias religiosas e espirituais. Isto é algo a não esquecer no actual diálogo inter-religioso, que muitas vezes tende aos sincretismos fáceis e moles.

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A religião, o homem e o animal

"O terem sido criados à imagem e semelhança de Deus os faz comparar-se não com Ele, mas com o ser vivo que se lhes segue na escala. Não encetam por essa reflexão o caminho que lhes permitiria superar-se: dele se afastam, porque vão apenas afirmar uma superioridade própria sobre o bicho, e, indo além do que lhes ordena a necessidade histórica, se julgam no pleno direito de o escravizar e utilizar a seu belo prazer"

- Agostinho da Silva, “Semelhança de Deus”, As Aproximações [1960], in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 26.

"...português, na sua plena forma brasileira"

"Claro que sou cristão; e outra coisas, por exemplo budista, o que é, para tantos, ser ateísta; ou, outro exemplo, pagão. O que, tudo junto, dá português, na sua plena forma brasileira"

- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 175.

Contribuição de Luís Resina: Manifesto para a paz global



O Papel da Crise ao Nível Individual e Global

As mudanças externas que estamos a assistir no mundo funcionam como um catalisador para as mudanças dentro de nós.
Os pressupostos e as demonstrações da física quântica, permitem-nos dizer, que os nossos pensamentos, emoções e actos têm a capacidade de influenciar os átomos da matéria.

O Papel do Sentimento, a Inteligência Emocional

Já foi provado por cientistas que a energia do coração humano gera um campo magnético mais forte 5000 vezes que o cérebro. O sentimento colectivo exerce efeito sobre o campo geomagnético da Terra. Uma mudança no nosso modo de sentir a nós mesmo e ao colectivo, possui o potencial para afectar o nosso mundo no sentido quer subjectivo quer objectivo.
Gregg Barden - “Fractal Time”.

Dirigimo-nos para um ponto de convergência e de aglutinação onde as coisas têm de ser transmutadas, o “Status Quo”, assente na Economia, na Política, na Ciência e na Religião necessita de ser renovado urgentemente.
O estrangulamento do tempo, da economia, dos recursos naturais e de uma vida desvinculada dos ritmos cósmicos tornar-se-á insustentável dentro de poucos anos, a não ser, que voltemos rapidamente o nosso olhar para a Essência que sustêm o Mundo.
Essa Essência apresenta-se sob a forma de Luz (informação e conhecimento), Amor (coesão e sustentabilidade) e Partilha (abundância e alegria), estas serão na minha perspectiva as pedras basilares de uma nova "Ecologia do Ser.

É urgente a construção rápida de novos paradigmas através da prática de um Neo-humanismo assente numa Ecologia do Ser.
Isso implica uma maior solidariedade entre os grupos económicos, políticos, sociais e religiosos, e estes necessitam de estar em sintonia com valores espirituais e universais. A abordagem a este novo tipo de consciência pretende vir a mostrar-se como uma alternativa a um materialismo que tem vindo a exaurir os recursos, não só do planeta como do próprio ser humano. Isso só poderá ser feito por todos aqueles que estão conscientes destes desafios. O objectivo será intuirmos as grandes ideias centrais que servirão de alternativa à crise global , não confinada apenas ao campo económico, mas também à área social, aos valores humanos e à necessidade de implementação de uma nova espiritualidade.

É a hora de acordar o espírito co-criador que reside em cada um de nós!

Manifesto para a Paz Global

Reunidos na cidade de Caracas, Venezuela, em 24 de Novembro de 2002, no marco do Terceiro Encontro da Rede Ibero americana de Luz, foi declarado o seguinte:

Há uma única pátria: o Cosmos.
Há uma única nação: a Terra.
Há uma única família: a Humanidade.
Há uma única verdade: a Vida, expressando-se de acordo com uma ordem superior e infinita.
Há uma única religião: o Amor.
Há uma única essência: a Luz Eterna que gera a vida.
Há uma única ciência: a Universalidade.
Há uma única meta: a Paz em unidade com todos os seres.
Há um único destino: a Evolução.
Há um só tempo: o Acorde dos ritmos naturais.

Este chamado de consciência é dirigido a todas as instâncias nacionais e internacionais, grupos, organizações e pessoas que sabem que um mundo melhor é possível e também àquelas que:

  • Transcendem seus valores trabalhando em si mesmas;
  • Manifestam disposição de serviço à humanidade e ao planeta;
  • Aceitam unir-se a outras pessoas em acções conjuntas;
  • Vinculam-se mediante o poder do pensamento sinérgico;
  • Efectuam a sincronização de propósitos em pensamento, emoção e acção;
  • Geram convergências planetárias de consciência comunicando-se por diferentes meios e sobre diferentes temas afins;
  • Usam seu potencial criador para gerar a aceleração da transformação planetária.

Autor: Luís Resina

Inaugurada primeira mesquita no Arquipélago da Madeira [14.12.2009]


A primeira mesquita no Arquipélago da Madeira e 34ª em Portugal foi hoje inaugurada, recordando o imã local, Abdel Lasri, que a comunidade islâmica se reunia há cerca de cinco anos num apartamento no Funchal.

Na cerimónia, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim agradeceu o “trabalho desenvolvido pela comunidade islâmica em prol da Região e a forma generosa como se integrou com o povo da Madeira”.

Alberto João Jardim criticou o facto das actuais sociedades terem “caído no materialismo despido de humanismo”, comentando: “Apesar da Europa ter atingido o desenvolvimento, a perda dos valores da espiritualidade acabará por ser a decadência de uma forma de viver”.

O presidente da comunidade islâmica em Lisboa, Abdool Karim Vakil, considerou, por seu lado, que “Portugal é um exemplo ímpar de respeito mútuo e convívio harmonioso entre etnias, que vivem lado a lado, contribuindo para o desenvolvimento da Madeira”.

Salientou que esta inauguração surge num “contexto europeu algo estranho, onde existem manifestações de xenofobia e islamofobia”.

Para ele, “todas as religiões são caminhos diferentes que nos conduzem ao mesmo Deus”. Apelou ao esforço de todos, no sentido de “transformarem as espadas em arados, fazendo do actual mundo de desavenças um lugar melhor”.

A cerimónia de inauguração da mesquita contou com a presença dos embaixadores do Irão, Arábia Saudita e representantes da Líbia, e elementos de diversas religiões da Madeira.

Em declarações à agência Lusa, o imã da Madeira, Abdel Lasri, referiu que a comunidade islâmica “está a crescer e agora tem mais condições para receber as diferentes culturas, o que é importante para ligação com a comunidade madeirense”.

Adiantou que o grupo é composto por cerca de 700 pessoas, sendo a maioria africana mas existindo também cidadãos do Paquistão, Cazaquistão, Bangladesh, Índia e alguns árabes.

“Esta é uma evolução extraordinária, porque o anterior espaço era reduzido, sem condições e esta é uma outra visão do ponto de vista da prática do culto”, acrescentou o presidente da comunidade islâmica, Abdoul Karim.

fonte: http://www.destak.pt/artigo/48110

Portugal - Terra de Iniciação

Como limite, junto a um território ignoto ou interdito, perigoso, defendido pela água, as trevas e os montros inonimados, Portugal teria em Sagres o ponto máximo, abruptamente cortado em falésia, que marcará o fim do mundo: ponto onde se encontra a terra dos vivos e a terra dos mortos, o conhecido e o desconhecido, este mundo e o Outro Mundo.

Daí partirão os seus caminhos ignotos e começarão as provas que todo o herói pretendendo penetrar nos mistérios desse Outro Mundo e daí trazer os seus tesouros, tem de percorrer e vencer.

Por isso, desde a nossa proto-história, há testemunhos em Sagres - S. Vicente, dum culto a Crono, o deus da Idade de Ouro, ou da terra paradisíaca da humanidade, e dum culto a Hércules, o herói que desceu aos Infernos, venceu o monstro seu guardador, Cérbero, e conquistou ao Dragão os Pomos de Ouro das Hespérides. E será daqui, deste extremo pátrio dum território extremo eurásico, donde mais tarde partirão os argonautas para a nova aventura, que vencerão os monstros do Mar Tenebroso, conquistarão o ouro da Índia e aportarão às Ilhas Afortunadas como «ilha divina».

Por isso, como terra limite, debruçada sobre esse Mar Tenebroso, aporia humana e terrestre, no espaço e no tempo, na geografia e na história, Portugal estaria desde logo vocacionado para ser terra de iniciação.

Dalila Pereira da Costa, Da Serpente à Imaculada, Porto, Lello e Irmão Editores, 1984, pp.15-16

E isto? Não vos diz nada??




Os suíços decidiram hoje [29/11/2009] em referendo proibir a construção de minaretes (torres das mesquitas), com 57 por cento dos votantes a pronunciarem-se nesse sentido, segundo os resultados definitivos do escrutínio.

Apenas quatro cantões nos 26 que integram a Confederação rejeitaram a proposta apoiada pelo partido UDC, da direita populista, e pelo pequeno partido cristão de direita UDF.

A votação provocará mudanças no artigo 72 da Constituição suíça que regula as relações entre o Estado e as religiões. A proibição de construção de minaretes será apresentada no documento como uma medida 'para manter a paz entre os membros das diversas comunidades religiosas'.

Os analistas foram unânimes em qualificar o resultado de 'grande surpresa', pois contradiz as sondagens feitas durante a campanha para o referendo que apontavam para uma rejeição de 53 por cento dos votantes da proposta da direita populista.

O UDC, que não perde uma ocasião para incitar o medo do estrangeiro, convenceu assim uma maioria de suíços ao acusar os minaretes de serem o 'símbolo aparente de uma reivindicação político-religiosa de poder, que põe em causa os direitos fundamentais'.

O intelectual muçulmano Tariq Ramadan considerou 'catastrófico' o resultado do referendo. Para Ramadan, que vive em Genebra e ensina na Universidade de Oxford, 'os suíços exprimiram um verdadeiro medo, um questionamento profundo sobre o assunto do Islão na Suíça'.

O partido Os Verdes declarou considerar a apresentação de um recurso perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo por violação da liberdade religiosa garantida pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Da religião

A religião, que supostamente nos ajuda a cultivar esta atitude [o senso da sagrada inviolabilidade de cada ser humano],  muitas vezes parece reflectir a violência e o desespero dos nossos tempos. Quase todos os dias vemos exemplos de terrorismo, ódio e intolerância por motivos religiosos. As pessoas, em número crescente, acham as doutrinas e práticas religiosas tradicionais irrelevantes e destituídas de credibilidade e voltam-se para a arte, a música, a literatura, a dança, o desporto ou as drogas, para conseguirem a experiência transcendental de que os seres humanos parecem necessitar. Todos nós buscamos momentos de êxtase e arrebatamento, quando habitamos a nossa humanidade mais integralmente do que é costume e nos sentimos muitíssimo tocados interiormente e, por momentos, elevados acima de nós mesmos.

Karen Armstrong

Do Diálogo Inter-Religioso

Embora não ache aconselhável que as pessoas abandonem a sua religião de origem, acredito que o praticante de uma determinada tradição pode incorporar na sua prática métodos de transformação espiritual pertencentes a outras tradições. Por exemplo, alguns dos meus amigos cristãos, embora profundamente fiéis à sua tradição, incorporam na sua prática antigos métodos indianos para cultivar a concentração num só ponto através da meditação. Utilizam também métodos budistas para treinar o espírito através da meditação, visualizações para cultivar a compaixão e práticas que ajudam a cultivar a paciência. Estes cristãos sinceros permanecem fiéis à sua tradição espiritual, embora adoptando aspectos e métodos pertencentes a outros ensinamentos. Acho que é benéfico e parece-me bastante sensato da sua parte.

Penso que esta atitude deve ser recíproca, e que os budistas também podem incorporar certos elementos da tradição cristã na sua prática. Por exemplo, a tradição do serviço prestado à comunidade. Na tradição cristã, os monges e as monjas têm uma longa história de serviço comunitário, em especial no campo da educação e da saúde. Na área do serviço social prestado à comunidade, o budismo vem muito atrás do cristianismo. Um amio meu, alemão e budista, fez-me notar que, apesar de terem sido construído muitos mosteiros tibetanos nos últimos anos no Nepal, apenas um punhado deles construiu escolas e hospitais. Se se tratasse de mosteiros cristãos, dizia ele, decerto que a esse número crescente de mosteiros corresponderia um número igualmente crescente de escolas e de serviços de saúde. Enquanto budista, não pude deixar de concordar com ele. Não há dúvida de que os budistas têm muito a aprender com os cristão no que respeita ao serviço social.

Alguns amigos meus cristãos manifestaram um profundo interesse pelo pelo conceito budista de vacuidade. Dise-lhes, porém, que o ensinamento sobre a vacuidade -  o facto de as coisas serem desprovidas de realidade absoluta e independente - é específico do budismo e que, por coneguinte, talvez não seja aconselhável, a um cristão que queira permanecer fiel à sua tradição, aprofundar demasiado este aspecto do ensinamento budista. A razão para esta advertência é que o facto de aprofundar os ensinamentos budistas sobre a vacuidade e procurar segui-los pode comprometer a fé no Criador, um ser absoluto, independente, eterno, ou seja, o oposto da vacuidade.

Muitas pessoas sentem um grande respeito pelo budismo e pelo cristianismo, em particular pelos ensinamentos de Buda Shakyamuni e de Jesus Cristo. Sem dúvida que é muito importante respeitar os mestres e os ensinamentos de todas as religiões e é possível, numa fase inicial, praticar o budismo e o cristianismo ao mesmo tempo. Mas, se quisermos aprofundar o nosso caminho espiritual, vai ser ncessário, a dada altura, comprometermo-nos de forma mais profunda com um deles e com a sua metafísica própria.

Sua Santidade o Dalai Lama, O Coração da Sabedoria, Cascais, Editora Pergaminho, 2008, pp.24-26

"Cada religião é a única verdadeira..."

"Cada religião é a única verdadeira, ou seja, no momento em que nela pensamos é necessário prestar-lhe tamanha atenção como se não houvesse outra coisa; do mesmo modo cada paisagem, cada quadro, cada poema, etc., é o único que é belo. A "síntese" das religiões implica uma qualidade de atenção inferior"

- Simone Weil, Cahier VI, Oeuvres, Paris, Gallimard, 1999, p.848.

Não posso deixar de fazer deste reparo um reparo às tendências sincretistas de algum Fernando Pessoa e de algum Agostinho da Silva, que passa a meio caminho entre elas e o fundamentalismo dogmático da crença numa única religião verdadeira. Não parece possível seguir uma qualquer via religiosa ou mesmo espiritual sem uma dedicação e concentração totais, sabendo e aceitando ao mesmo tempo que outros podem e devem fazer o mesmo com outras vias religiosas e espirituais. Isto é algo a não esquecer no actual diálogo inter-religioso, que muitas vezes tende aos sincretismos fáceis e moles.