Um espaço para reinventar Portugal como nação de todo o Mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações e promova os valores mais universalistas, conforme o símbolo da Esfera Armilar. Há que visar o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, orientada não só para o bem da espécie humana, mas também para a preservação da natureza e o bem-estar de todas as formas de vida sencientes.

"Nós, Portugal, o poder ser"

- Fernando Pessoa, Mensagem.

Amamentar Hoje


Amamentar, em Portugal, nos dias que correm é.... é estranho.

É estranho porque não se vê, porque não se usa, porque "não é prático", porque se tem vergonha... mas sobretudo porque (quase) ninguém percebe nada do assunto!

É engraçado como um fenómeno fisiológico, biológico, que acontece no nosso corpo e na relação natural e animal de cuidar a cria que parimos, se tornou para nós tão distante e incompreendido... ou talvez não seja assim tão surpreendente, se pensarmos que o próprio acto de dar à luz um filho se transformou num fenómeno complexo e aparatoso (ver post "O Nascimento do Homem no Portugal Renascido").

O facto é que, se um bebé se gera, cresce e nasce através do corpo da mãe, é também o corpo da mãe que providencia o alimento necessário e suficiente para que esse novo ser continue a crescer no exterior, até que consiga digerir, sem prejuízos orgânicos, outro tipo de alimentos. O alimento que sai do corpo da mãe é o leite, e existe em todas as espécies animais mamíferas, tendo sido a amamentação para todas elas (e também para nós, enquanto animais que somos) a chave para a sua sobrevivência até aos dias de hoje.

Então, o que aconteceu?

Permitam-me fazer um rápido enquadramento histórico.

A necessidade e a vontade das mulheres ingressarem no mundo de trabalho, até então consagrado ao sexo masculino, provocou a necessidade de mães recentes se afastarem de seus bebés quase acabados de nascer, deixando-os aos cuidados de outros. Assim, os bebés que não podiam receber o leite das suas mães, ou de outras mulheres, passaram a ser alimentados com leite de vaca, cabra, etc. A consequência foi um aumento da mortalidade de bebés, que não estavam preparados para digerir alimentos diferentes do leite materno.

A ciência encontrou a solução, permitindo que o leite de vaca fosse trabalhado em laboratórios de forma a tornar-se mais adaptado ao organismo do recém-nascido. O leite adaptado passou a ser comercializado e recomendado para todos os bebés. Não foi a solução ideal, mas serviu para tapar o buraco: os bebés deixaram de morrer tanto e as mães puderam continuar a trabalhar de consciência tranquila.

Nos anos 50 apareceu a primeira organização promotora dos benefícios e da necessidade dos bebés ingerirem leite materno, mas o hábito e o estatuto ocidental salva-vidas que o leite adaptado adquiriu, não permitiu que técnicos de saúde dessem muito crédito àquela organização, pelo que o leite adaptado continuou a ser considerado muito melhor e mais nutritivo para o bebé, que o leite materno.

Face a isto, levou-se o "salva-vidas" para os países em desenvolvimento, onde a taxa de mortalidade infantil era (e é) enorme... surpresa das surpresas foi a verificação que, em vez de diminuir, a introdução de leite adaptado aumentou, ainda mais, a mortalidade de bebés e crianças!

Perante esta constatação, outras organizações importantes, como a UNICEF e a OMS, passaram a estar mais atentas à importância da amamentação.

Chegamos, então, aos dias de hoje.

Apesar de todo o conhecimento científico actual edificado em torno dos infinitos benefícios que o leite materno tem para os bebés, hábitos enraizados são difíceis de mudar... mesmo para profissionais de saúde, o que é extremamente contra producente quando o objectivo global é colocar mais bebés durante mais tempo a mamar em livre demanda (sempre que o bebé quer) - recomendações OMS / UNICEF -

Se nos países em desenvolvimento o "regresso às origens" foi relativamente mais facilitado, dado o grande peso do factor económico (que dificulta o acesso ao leite de lata e a água potável), no ocidente tudo ficou bem mais complicado.

A proliferação de biberons de todas as formas, cores e feitios, as imagens e publicidade em torno deste objecto, as amostras gratuitas de leite adaptado, toda esta imensa máquina comercial tem um impacto fortíssimo nos cérebros de mães ansiosas e alvo fácil de consumo.

Para já não falar das crianças, que desde tenra idade recebem bonecos acoplados com biberons... Como sabemos, os jogos infantis são importantes ferramentas de treino para a vida adulta, sendo muito interessante comparar a forma como uma criança ocidental e uma criança de outra cultura brincam de alimentar o seu boneco.

No ocidente o "instinto" já não é dar de mamar, mas sim, dar biberon. Toda a postura corporal de uma mãe recente é muito mais adaptada ao biberon do que à amamentação, daí surgindo várias implicações como, por exemplo, uma má pega do bebé, que magoa a mãe e que não deixa o bebé receber de forma eficiente o seu alimento.... depois, os problemas vão surgindo em bola de neve.

Por se ter percebido que este é de facto um problema social e de saúde, em 1981 Portugal assinou o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno http://www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/sedenoticias/Codigo_VFinal.pdf , o qual está legislado desde 1993 (Decreto-Lei nº 115/93)




Estas medidas pretenderam constituir-se como um travão à voracidade comercial que gira em torno da alimentação por formulas de leite adaptado (que inclui biberons, tetinas e todos os acessórios necessários à sua utilização), que contribui para um prejuízo efectivo da saúde dos nossos bebés.

Apesar de existirem multas previstas para serem reclamadas aos incumpridores do código e da lei, o facto é que amostras de leite continuam a ser distribuídas às mulheres, publicidades de biberons continuam a existir em lojas farmácias e revistas para pais, e a ideia de que o leite artificial, embora não seja ideal é alimento suficiente para o bebé, continua a ser perpetuada!

Ponhamos os pontos nos "is":


  • O único alimento realmente adaptado às necessidades integrais do bebé é o leite materno

  • A amamentação cumpre muitos outros objectivos que não a alimentação em si, e que são importantíssimos para o desenvolvimento psico-motor e cognitivo do bebé

  • Só a amamentação oferece ao bebé e à criança uma imunidade activa contra várias patologias

  • A amamentação também protege o bebé do ponto de vista social, já que ao estabelecer com a mãe uma íntima comunicação não verbal em que determinadas hormonas favorecem um forte vínculo entre ambos, irá aumentar o instinto protector daquela mãe em relação ao seu bebé (pensemos nas mães adolescentes acidentais e/ou mulheres com fracas competências maternais)

  • O leite adaptado é sempre factor de risco para a saúde de qualquer bebé, dado não só excluir a intervenção de todos os aspectos protectores atrás referidos (entre outros), como também adicionar-se a possibilidade real de contaminação do produto, má conservação da embalagem, deficiente higiene dos biberons, doseamentos desiquilibrados do pó ou má qualidade da água utilizada

  • Por ser factor de risco, só pode ser usado em casos de necessidade real e pelo menor período de tempo possível, sob recomendação médica actualizada sobre o tema.... (será que é isto que acontece sempre?)

  • Apenas uma quantidade muito reduzida de mulheres não consegue ou não pode, de facto, amamentar, só sendo possível chegar a esta conclusão depois de a mulher ter sido apoiada de forma efectiva, por técnicos especializados em amamentação (que muitas vezes, não são técnicos de saúde)

  • Amamentar é ecológico. Respeita as necessidades biológicas, cognitivas e afectivas do ser humano (mãe e bebé), assim como respeita a natureza de que fazemos parte (não produz lixo: latas, plásticos, borrachas, etc)

  • Amamentar é económico. É grátis!

Para terminar, vou apenas referir as prioridades para a alimentação de todos os bebés do mundo até aos 6 meses, preconizadas pela OMS e UNICEF:



  1. Leite Materno extraído directamente da mama da mãe, pelo bebé

  2. Leite Materno recebido pelo bebé indirectamente (recorrendo a copos, seringas, colheres, etc)

  3. Leite de dador Humano

  4. Leite de vaca Adaptado (vulgo leite de lata)

... parece que, em Portugal, andamos a queimar etapas....


Posto isto, e não descurando o direito às escolhas informadas por parte dos indivíduos que eu tanto prezo, penso que devemos reflectir qual o direito que deve ter maior peso: o direito da mulher optar não amamentar, colocando assim em risco a sua saúde e a saúde do seu filho, ou o direito do bebé ser amamentado, ou pelo menos, receber leite de dador humano.

Ficando ainda tanto por dizer em relação à amamentação, deixo aqui algumas propostas de reflexão para um futuro com mais mulheres a amamentar sem pudor, pessoas (mães e bebés) mais saudáveis, mães mais protectoras e um ambiente menos poluído.



2 comentários:

Laura disse...

Nos EUA chegou a um ponto em que foi considerado "nojento" amamentar. Mas há que alertar as mães para a qualidade do seu próprio leite. Quando uma mulher pensa em engravidar, deverá iniciar um processo de desintoxicação uns mêses antes, para assegurar que o seu próprio leite é perfeitamente saudável.
Chamo a atenção também para o que aconteceu com os PCBs, pois não posso deixar de o fazer. Claro que em relação aos PCBs, proibida a sua produção nos EUA desde 1976, só podemos aguardar que os efeitos passem (e também existe no leite das vacas), mas o que quero dizer é que as mães devem estar conscientes da necessidade de limparem o seu organismo para poderem amamentar os filhos em segurança.

Cléo disse...

Claro que é super importante a mulher ter uma alimentação equilibrada para manter, não só a boa saúde do seu bebé, como para manter a sua boa saúde. Mas, de uma forma geral, qualquer mulher tem leite adequado para o perfeito desenvolvimento do seu bebé, o que já não acontece com as ditas latinhas de leite adaptado. De referir, neste ponto, que mesmo em países sub-desenvolvidos, em que mulheres passam restrições alimentares severas, a amamentação é referida como essencial (OMS / UNICEF) para a manutenção não só da saúde, como da vida dos bebés (ao contrario do leite adaptado que tem sido o responsável pela morte de muitas crianças e bebés, quer por desnutrição quer por diarreias).
Amamentar é sempre a melhor solução; só na impossibilidade desta acontecer (como em casos muito raros de não produção efectiva de leite pela mãe ou algumas patologias) o leite adaptado deve ser recomendado.
Mesmo quando abordamos as questões relacinadas com a toma de medicamentos, cada vez é menor a lista dos medicamentos considerados incompatíveis com a amamentação.
Se formos pensar então na questão do "nojo" em amamentar, é muito engraçado fazermos a comparação de uma mesma substância (leite) que sai do corpo de uma mulher ou de uma vaca... porque será que temos tendência a achar que o leite da vaca é "mais limpo", mais completo ou mais saudável?.... dá que pensar....
Penso que é urgente passar a informação, mais que actual em todo o mundo, que o leite materno é essencial para a saúde do bebé e que qualquer mulher (salvo casos muito raros) consegue fazê-lo de forma adequada. Se a mulher tiver uma alimentação equilibrada, então melhor ainda... mas julgo que referir esse factor como essencial para o leite materno ter qualidade não é correcto. Numa mulher que amamenta o equilíbrio organico é sempre feito a favor do leite materno; mais um "truque" biológico para a manutenção das espécies. ;)
Penso que a limpeza organica que a mulher deve fazer é muito mais importante para a gravidez em si; nesta fase o bebé recebe muito mais directamente qualquer substância ingerida ou inalada pela mãe.... depois, é só continuar: pela amamentação e por toda a vida!

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Amamentar Hoje


Amamentar, em Portugal, nos dias que correm é.... é estranho.

É estranho porque não se vê, porque não se usa, porque "não é prático", porque se tem vergonha... mas sobretudo porque (quase) ninguém percebe nada do assunto!

É engraçado como um fenómeno fisiológico, biológico, que acontece no nosso corpo e na relação natural e animal de cuidar a cria que parimos, se tornou para nós tão distante e incompreendido... ou talvez não seja assim tão surpreendente, se pensarmos que o próprio acto de dar à luz um filho se transformou num fenómeno complexo e aparatoso (ver post "O Nascimento do Homem no Portugal Renascido").

O facto é que, se um bebé se gera, cresce e nasce através do corpo da mãe, é também o corpo da mãe que providencia o alimento necessário e suficiente para que esse novo ser continue a crescer no exterior, até que consiga digerir, sem prejuízos orgânicos, outro tipo de alimentos. O alimento que sai do corpo da mãe é o leite, e existe em todas as espécies animais mamíferas, tendo sido a amamentação para todas elas (e também para nós, enquanto animais que somos) a chave para a sua sobrevivência até aos dias de hoje.

Então, o que aconteceu?

Permitam-me fazer um rápido enquadramento histórico.

A necessidade e a vontade das mulheres ingressarem no mundo de trabalho, até então consagrado ao sexo masculino, provocou a necessidade de mães recentes se afastarem de seus bebés quase acabados de nascer, deixando-os aos cuidados de outros. Assim, os bebés que não podiam receber o leite das suas mães, ou de outras mulheres, passaram a ser alimentados com leite de vaca, cabra, etc. A consequência foi um aumento da mortalidade de bebés, que não estavam preparados para digerir alimentos diferentes do leite materno.

A ciência encontrou a solução, permitindo que o leite de vaca fosse trabalhado em laboratórios de forma a tornar-se mais adaptado ao organismo do recém-nascido. O leite adaptado passou a ser comercializado e recomendado para todos os bebés. Não foi a solução ideal, mas serviu para tapar o buraco: os bebés deixaram de morrer tanto e as mães puderam continuar a trabalhar de consciência tranquila.

Nos anos 50 apareceu a primeira organização promotora dos benefícios e da necessidade dos bebés ingerirem leite materno, mas o hábito e o estatuto ocidental salva-vidas que o leite adaptado adquiriu, não permitiu que técnicos de saúde dessem muito crédito àquela organização, pelo que o leite adaptado continuou a ser considerado muito melhor e mais nutritivo para o bebé, que o leite materno.

Face a isto, levou-se o "salva-vidas" para os países em desenvolvimento, onde a taxa de mortalidade infantil era (e é) enorme... surpresa das surpresas foi a verificação que, em vez de diminuir, a introdução de leite adaptado aumentou, ainda mais, a mortalidade de bebés e crianças!

Perante esta constatação, outras organizações importantes, como a UNICEF e a OMS, passaram a estar mais atentas à importância da amamentação.

Chegamos, então, aos dias de hoje.

Apesar de todo o conhecimento científico actual edificado em torno dos infinitos benefícios que o leite materno tem para os bebés, hábitos enraizados são difíceis de mudar... mesmo para profissionais de saúde, o que é extremamente contra producente quando o objectivo global é colocar mais bebés durante mais tempo a mamar em livre demanda (sempre que o bebé quer) - recomendações OMS / UNICEF -

Se nos países em desenvolvimento o "regresso às origens" foi relativamente mais facilitado, dado o grande peso do factor económico (que dificulta o acesso ao leite de lata e a água potável), no ocidente tudo ficou bem mais complicado.

A proliferação de biberons de todas as formas, cores e feitios, as imagens e publicidade em torno deste objecto, as amostras gratuitas de leite adaptado, toda esta imensa máquina comercial tem um impacto fortíssimo nos cérebros de mães ansiosas e alvo fácil de consumo.

Para já não falar das crianças, que desde tenra idade recebem bonecos acoplados com biberons... Como sabemos, os jogos infantis são importantes ferramentas de treino para a vida adulta, sendo muito interessante comparar a forma como uma criança ocidental e uma criança de outra cultura brincam de alimentar o seu boneco.

No ocidente o "instinto" já não é dar de mamar, mas sim, dar biberon. Toda a postura corporal de uma mãe recente é muito mais adaptada ao biberon do que à amamentação, daí surgindo várias implicações como, por exemplo, uma má pega do bebé, que magoa a mãe e que não deixa o bebé receber de forma eficiente o seu alimento.... depois, os problemas vão surgindo em bola de neve.

Por se ter percebido que este é de facto um problema social e de saúde, em 1981 Portugal assinou o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno http://www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/sedenoticias/Codigo_VFinal.pdf , o qual está legislado desde 1993 (Decreto-Lei nº 115/93)




Estas medidas pretenderam constituir-se como um travão à voracidade comercial que gira em torno da alimentação por formulas de leite adaptado (que inclui biberons, tetinas e todos os acessórios necessários à sua utilização), que contribui para um prejuízo efectivo da saúde dos nossos bebés.

Apesar de existirem multas previstas para serem reclamadas aos incumpridores do código e da lei, o facto é que amostras de leite continuam a ser distribuídas às mulheres, publicidades de biberons continuam a existir em lojas farmácias e revistas para pais, e a ideia de que o leite artificial, embora não seja ideal é alimento suficiente para o bebé, continua a ser perpetuada!

Ponhamos os pontos nos "is":


  • O único alimento realmente adaptado às necessidades integrais do bebé é o leite materno

  • A amamentação cumpre muitos outros objectivos que não a alimentação em si, e que são importantíssimos para o desenvolvimento psico-motor e cognitivo do bebé

  • Só a amamentação oferece ao bebé e à criança uma imunidade activa contra várias patologias

  • A amamentação também protege o bebé do ponto de vista social, já que ao estabelecer com a mãe uma íntima comunicação não verbal em que determinadas hormonas favorecem um forte vínculo entre ambos, irá aumentar o instinto protector daquela mãe em relação ao seu bebé (pensemos nas mães adolescentes acidentais e/ou mulheres com fracas competências maternais)

  • O leite adaptado é sempre factor de risco para a saúde de qualquer bebé, dado não só excluir a intervenção de todos os aspectos protectores atrás referidos (entre outros), como também adicionar-se a possibilidade real de contaminação do produto, má conservação da embalagem, deficiente higiene dos biberons, doseamentos desiquilibrados do pó ou má qualidade da água utilizada

  • Por ser factor de risco, só pode ser usado em casos de necessidade real e pelo menor período de tempo possível, sob recomendação médica actualizada sobre o tema.... (será que é isto que acontece sempre?)

  • Apenas uma quantidade muito reduzida de mulheres não consegue ou não pode, de facto, amamentar, só sendo possível chegar a esta conclusão depois de a mulher ter sido apoiada de forma efectiva, por técnicos especializados em amamentação (que muitas vezes, não são técnicos de saúde)

  • Amamentar é ecológico. Respeita as necessidades biológicas, cognitivas e afectivas do ser humano (mãe e bebé), assim como respeita a natureza de que fazemos parte (não produz lixo: latas, plásticos, borrachas, etc)

  • Amamentar é económico. É grátis!

Para terminar, vou apenas referir as prioridades para a alimentação de todos os bebés do mundo até aos 6 meses, preconizadas pela OMS e UNICEF:



  1. Leite Materno extraído directamente da mama da mãe, pelo bebé

  2. Leite Materno recebido pelo bebé indirectamente (recorrendo a copos, seringas, colheres, etc)

  3. Leite de dador Humano

  4. Leite de vaca Adaptado (vulgo leite de lata)

... parece que, em Portugal, andamos a queimar etapas....


Posto isto, e não descurando o direito às escolhas informadas por parte dos indivíduos que eu tanto prezo, penso que devemos reflectir qual o direito que deve ter maior peso: o direito da mulher optar não amamentar, colocando assim em risco a sua saúde e a saúde do seu filho, ou o direito do bebé ser amamentado, ou pelo menos, receber leite de dador humano.

Ficando ainda tanto por dizer em relação à amamentação, deixo aqui algumas propostas de reflexão para um futuro com mais mulheres a amamentar sem pudor, pessoas (mães e bebés) mais saudáveis, mães mais protectoras e um ambiente menos poluído.



2 comentários:

Laura disse...

Nos EUA chegou a um ponto em que foi considerado "nojento" amamentar. Mas há que alertar as mães para a qualidade do seu próprio leite. Quando uma mulher pensa em engravidar, deverá iniciar um processo de desintoxicação uns mêses antes, para assegurar que o seu próprio leite é perfeitamente saudável.
Chamo a atenção também para o que aconteceu com os PCBs, pois não posso deixar de o fazer. Claro que em relação aos PCBs, proibida a sua produção nos EUA desde 1976, só podemos aguardar que os efeitos passem (e também existe no leite das vacas), mas o que quero dizer é que as mães devem estar conscientes da necessidade de limparem o seu organismo para poderem amamentar os filhos em segurança.

Cléo disse...

Claro que é super importante a mulher ter uma alimentação equilibrada para manter, não só a boa saúde do seu bebé, como para manter a sua boa saúde. Mas, de uma forma geral, qualquer mulher tem leite adequado para o perfeito desenvolvimento do seu bebé, o que já não acontece com as ditas latinhas de leite adaptado. De referir, neste ponto, que mesmo em países sub-desenvolvidos, em que mulheres passam restrições alimentares severas, a amamentação é referida como essencial (OMS / UNICEF) para a manutenção não só da saúde, como da vida dos bebés (ao contrario do leite adaptado que tem sido o responsável pela morte de muitas crianças e bebés, quer por desnutrição quer por diarreias).
Amamentar é sempre a melhor solução; só na impossibilidade desta acontecer (como em casos muito raros de não produção efectiva de leite pela mãe ou algumas patologias) o leite adaptado deve ser recomendado.
Mesmo quando abordamos as questões relacinadas com a toma de medicamentos, cada vez é menor a lista dos medicamentos considerados incompatíveis com a amamentação.
Se formos pensar então na questão do "nojo" em amamentar, é muito engraçado fazermos a comparação de uma mesma substância (leite) que sai do corpo de uma mulher ou de uma vaca... porque será que temos tendência a achar que o leite da vaca é "mais limpo", mais completo ou mais saudável?.... dá que pensar....
Penso que é urgente passar a informação, mais que actual em todo o mundo, que o leite materno é essencial para a saúde do bebé e que qualquer mulher (salvo casos muito raros) consegue fazê-lo de forma adequada. Se a mulher tiver uma alimentação equilibrada, então melhor ainda... mas julgo que referir esse factor como essencial para o leite materno ter qualidade não é correcto. Numa mulher que amamenta o equilíbrio organico é sempre feito a favor do leite materno; mais um "truque" biológico para a manutenção das espécies. ;)
Penso que a limpeza organica que a mulher deve fazer é muito mais importante para a gravidez em si; nesta fase o bebé recebe muito mais directamente qualquer substância ingerida ou inalada pela mãe.... depois, é só continuar: pela amamentação e por toda a vida!

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