Um espaço para reinventar Portugal como nação de todo o Mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações e promova os valores mais universalistas, conforme o símbolo da Esfera Armilar. Há que visar o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, orientada não só para o bem da espécie humana, mas também para a preservação da natureza e o bem-estar de todas as formas de vida sencientes.

"Nós, Portugal, o poder ser"

- Fernando Pessoa, Mensagem.

A lusofonia não é lusófona, mas universal

A lusofonia não é lusófona, mas universal

(excerto)

A lusofonia não cobre um fundo cultural comum, mas é um espaço de eclosão cultural aberto. Não há uma cultura lusófona, nem as culturas que se encontram no espaço da lusofonia estão marcadas, de forma indelével, por uma mesma intencionalidade destinal. O que se pode dizer é que o espaço lusófono se apresenta ao mundo como a possibilidade de se romper com o regime logocêntrico que marca a vigência da metafísica ocidental enquanto configuração civilizacional criadora de uniformidade e instauradora dum fechamento onto-fenomenológico da experiência humana do mundo em relação ao horizonte grácil da emergência da vida espiritual veiculadora duma cultura eco-eudemoníaca, sem a anomalia sapiensial que separa o humano do animal, a sociedade da natureza, o terrestre do celeste.

A uniformização eurocêntrica leva à destruição das culturas ancestrais que eclodiram para lá dos constrangimentos do totalitarismo da mesmidade sem um avesso de si que a interpelasse à dissolução transmutadora. E aqui cabe uma chamada de atenção para algo que tem que ser atendido com seriedade: a instrumentalização da cultura portuguesa e do pensamento português, nascido à margem da metafísica sem um impulso interno para o outro de si, para os colocar ao serviço dum gesto totalitário análogo à totalitária imposição da mundividência eurocêntrica ao resto do mundo, não só se apresenta como um erro grotesco, como atraiçoa o sentido espiritual da expansividade da vida ética e do pensamento seminal para o ainda não pensado, para o preterido pela tradição metafísica ocidental, próprio do pensamento português e assumido por autores tão importantes quanto, por exemplo, Antero de Quental, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José Marinho, Eudoro de Souza, ou Agostinho da Silva, para só referir estes e para não referir os que hoje seguem na sua senda .
E a Língua Portuguesa não é constringente em termos espirituais e existenciais, ou seja, não aparece como um obstáculo até mesmo à sua ultrapassagem – tem sido um útero aberto à emergência de outras vias de apropriação linguística do mundo, coisa própria de uma língua viva, capaz de dar à luz outras línguas.

Por isso, qualquer tentativa de domesticar a língua, de a contratualizar em nome de imperativos económicos e políticos, é um passo na destruição da lusofonia, do que ela tem de mais original e imperioso para o mundo, a sua não constringência em termos espirituais.

A Língua Portuguesa não conhece fronteiras, não se institui como um território mental instaurador de barbarismos. Desse centro de divergência coalescente, não se vê nem estrangeiros nem bárbaros. Ter a Língua Portuguesa como Pátria, indo para além do lugar comum pessoano que tem sido usado para tudo e para nada, é não ser mais do que cidadão do Universo, encarado como o que, a cada instante, em cada um dos existentes e a cada um engloba numa corrente de transcensão transmutadora e re-criadora. É no diverso que se dá a patência da conversão plenificante ao que a tudo excede e, nesse excesso, tudo abraça num amplexo oceânico, sem fundo e sem margens.

- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), pp.20-21.

arevistaentre.blogspot.com

... no bom caminho por um parto mais saudável e respeitado!

A indução do trabalho de parto e o uso de fórceps ou de ventosas podem vir a ser procedimentos excluídos do conceito de parto normal, segundo um documento em análise na Direcção-Geral da Saúde (DGS).
"Pelo direito ao parto normal" é um projeto de promoção do parto natural "sem qualquer intervenção, mas assistido por profissional de saúde", proposto por um vasto grupo de especialistas em saúde reprodutiva.
A indução do trabalho de parto (com recurso a medicamento ou ruturas de membranas), o uso de fórceps, ventosas ou anestesia geral ficam, segundo esta proposta, excluídos da classificação de parto normal, bem como o nascimento por cesariana.

Noticia retirada na íntegra de http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10952818.html

Primeiro Guia de Assistencia ao Parto Domiciliar, Barcelona 2010

Foi publicado o 1º Guia de Assistência ao Parto Domiciliar, executado pelo Colégio Oficial de Enfermagem de Barcelona.

O trabalho foi realizado por uma equipa multidisciplinar, com bases em diversos artigos da literatura científica actual, relacionada com o Parto em Casa, na consulta das bases de dados da Biblioteca Cochrane, OMS, Medeine, CUIDEN e de guias de obstetrícia de países com tradição de partos domiciliares, como são a Holanda e a Inglaterra. Foram também consultadas para o efeito, as páginas web da OMS e da Royal College of Midwives, bem como foram realizadas diversas reuniões com uma equipa de assistência a partos domiciliares da Catalunha.


Este trabalho, pretende dar resposta à demanda social da participação da mulher e do casal na selecção do local do parto, conseguindo uma efectiva saúde perinatal, sensível aos aspectos psicológicos e culturais de cada mulher. Deste modo, é favorecida a liberdade individual e a autonomia para a realização de escolhas conscientes e informadas, respeitando as diferenças individuais, de acordo com o que é preconizado pelo movimento da Humanização do Parto e do Nascimento.

O documento visa a prossecução de 5 objectivos:

  • Informar e dar a conhecer a realidade actual do parto em casa
  • Respeitar o desejo de cada mulher e casal na escolha do local, da companhia e da forma de parir
  • Fomentar a participação activa da mulher e do casal nas decisões relacionadas com a saúde do seu filho
  • Reestabelecer a assistência pública domiciliaria do parto
  • Estruturar os critérios de actuação dos profissionais que assistem o parto em casa

Documento na íntegra em http://www.coib.cat/uploadsBO/Noticia/Documents/GUIA%20PART%20CASA_LLARGA.PDF

Lançamento do número 1 da revista Cultura ENTRE Culturas e de Uma Visão Armilar do Mundo - 3ª, 27, Largo do Alecrim, 70





Car@s Amig@s

Convido-vos para o lançamento do número 1 da revista Cultura ENTRE Culturas, por Frei Bento Domingues e Miguel Real, em conjunto com a apresentação do meu último livro Uma Visão Armilar do Mundo, por Paulo Teixeira Pinto. O Dr. Fernando Nobre associa-se ao evento, falando sobre o diálogo intercultural.

O acontecimento tem lugar no IADE Chiado Center - Rua do Alecrim, 70, na 3ª feira, 27, pelas 18.30

A revista Cultura ENTRE Culturas é uma revista internacional e intercultural por mim dirigida que publica ensaio, poesia e fotografia. A direcção artística é de Luiz Reys e a edição da Âncora Editora.

Comissão de Honra: François Jullien, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, Raimon Pannikar, Matthieu Ricard e Agostinho da Silva (In Memoriam).

Publica neste número inéditos de Vilém Flusser, François Jullien, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, Raimon Pannikar e Agostinho da Silva.

Ensaios e textos de Paulo Borges, Maria Sarmento, Paulo Feitais, Rui Lopo, Ricardo Ventura, Carlos Silva, Isabel Santiago, Amon Pinho, Miguel Real, Romana Valente Pinho e Inês Borges.

Poesia de Francisco Soares, Duarte Braga, Rui Fernandes, Luiza Dunas, Dirk Hennrich (aforismos), Francisco Soares e Donis de Frol Guilhade.

Fotografia de Beat Presser, Ilda Castro, Rui Fernandes, Francisco Soares e Adama.

O próximo número (Outubro de 2010) será dedicado a Fernando Pessoa e ao Diálogo Ocidente-Oriente, por ocasião dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa.

Propósitos:

1. Contribuir para o desenvolvimento de uma consciência-experiência integrais, multidimensionais, inter e trans-disciplinares do real e do que possa haver além-aquém do que como tal se designa, enriquecendo criativamente a vida e a existência mediante a compreensiva realização das suas supremas possibilidades.

2. Explorar antigas e novas possibilidades espirituais, mentais, éticas, artísticas, científicas, educativas, ecológicas, comunicacionais, sociais, políticas e económicas, alternativas à crise e declínio do paradigma civilizacional ainda dominante e que obedeçam ao soberano critério do melhor possível para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos.

3. Promover o conhecimento e diálogo entre culturas, civilizações, religiões e espiritualidades, bem como entre estas, o ateísmo e o agnosticismo, no espírito da mais ampla imparcialidade e
universalismo.

4. Contribuir para a harmonia e a não-violência na relação do homem consigo, com a natureza e com todos os seres sencientes, capazes de sentir dor, prazer e emoções.

5. Despertar e orientar para estes fins a cultura e a sociedade portuguesas, bem como a comunidade lusófona, valorizando e promovendo as tendências que nelas mais apontem neste sentido

....

Será para mim uma honra a vossa presença.

Saudações

Paulo Borges

Marcha contra a criação do Biotério da Azambuja - Hoje, 24 de Abril, 14.30 - Saldanha

A Fundação Champalimaud pretende construir um BIOTÉRIO COM 25 MIL JAULAS PARA PRODUÇÃO DE ANIMAIS, CUJA ÚNICA FINALIDADE É A EXPERIMENTAÇÃO (em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Universidade de Lisboa e em terrenos cedidos pelo município da Azambuja, Portugal).

A concretizar-se, esta “fábrica” de produção de animais será uma das maiores da Europa, cujos fins comerciais envolvem dinheiros públicos e cujo objectivo é a exportação de animais para todo o mundo, inclusive para países onde não existe qualquer legislação de protecção animal.

Vai realizar-se a 2ª Marcha contra a construção do Biotério da Azambuja, organizada pela Plataforma de Objecção ao Biotério - http://www.pob.pt.vu/

A concentração inicia-se pelas 14h30 do próximo Sábado, dia 24 de Abril, no Saldanha, em frente à Fundação Champalimaud (Atrium Saldanha) de onde sairá a marcha até à Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa.

A tua presença é fundamental e INSUBSTITUÍVEL!

VAMOS FAZER DE PORTUGAL UM MODELO DE CIÊNCIA SÉRIA E RESPONSÁVEL!

PENSAR ABRIL I


Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!

Viva o Zeca
Que nos fez acordar
De uma longa noite de trevas!

Viva a voz audaz de um povo,
Até então,
Calado,
Adormecido
Pelas vozes tirânicas
De um poder,
Sem dó!
Viva o 25 de Abril,
A consciência de um só grito,
Aberto,
Que nos iluminou o Futuro!

O Futuro?
Que Futuro?
O da politica demagógica?
O da falsa democracia?

O Futuro
Que já não se silencia?

O Futuro da expressão
De todas as cores?
Do rosa, do laranja,
Do vermelho, do verde
Ou do amarelo?

Viva o 25 de Abril,
O eco de pensamentos outros,
Do diálogo,
Ou da conversa fiada,
Da trama das ideologias
E da teoria da in-existência das ideologias!

Viva o 25 de Abril,
O amor e a paz,
Sempre adiadas,
Mesmo depois do ilusório apogeu
Da bem-dita guerra colonial,
Dos homens mutilados,
Dos corações de mulheres,
Despedaçados,
Das almas das crianças,
Órfãs,
Que assim nasceram
Á luz da promessa
De uma nova idade…

Isabel Rosete

PENSAR ABRIL II

Trinta e seis anos passados!
Restam-nos as memórias
Dos horrores da guerra
De uma sociedade que,
Em nome dos cravos vermelhos,
Um dia,
Ousou gritar:
Liberdade.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que fez cair
Um regime
Eternamente enraizado.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que arrancou,
Com todas as armas,
A tirania aos pretensos opressores
De um poder adulterado.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito ocultado,
Pelo véu da falsa ordem,

Há muito camuflado,
Sob a tríade:
Deus,
Pátria
E Família.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito velado,
Nos meandros da paupérrima cultura
De um Povo,
Que convinha manter calado.

Calado?
Sim, calado!
Em nome da ausência
Do Espírito Crítico,
Das mentes despertas
E do pensar astuto.

Trinta e seis anos passados!
E aqui estamos nós,
Quiçá,
Em uníssono,
A comemorar,
Com milhares de cravos vermelhos,
O grande acontecimento da Liberdade.

Liberdade?
Qual Liberdade?

Isabel Rosete

"Outro Portugal", Alhos Vedros

Acta 3, 18 de Abril de 2010

Presenças: Leonel, Diogo, Croca, Maribel, Edgar, Luís, Raminhos. A Fernanda Gil justificou antecipadamente a sua ausência por motivo de doença.

Ainda antes da leitura da acta da reunião passada o Raminhos informou que os livros que se pretendem juntar serão enviados para Timor e não para Cabo Verde, como inicialmente tinha sido pensado. Agendou-se o dia 15 de Maio como a data limite para a recolha dos livros para se proceder depois ao seu envio, ainda antes do final do ano lectivo.

De acordo com a reflexão feita na reunião anterior e com a identificação de algumas questões de interesse local, passou-se à definição de uma estratégia que permita passar à acção. Assim, os problemas identificados serão alvo de organização de sessões de reflexão e debate na Escola Aberta Agostinho da Silva e de, eventuais, publicações no Blogue/Revista “Estudo Geral”, de forma a, numa primeira fase, sensibilizar os participantes, para depois, numa fase posterior, se passarem a acções mais concretas.

Os problemas assinalados foram distribuídos pelos presentes da seguinte forma:
- Desarborização, desflorestação, zonas verdes – Manuel João Croca
- Património Histórico, Museologia – Luís Santos
- Planeamento urbano, degradação/recuperação dos núcleos urbanos – Maribel
- Animais Abandonados, campanha de adopção – Edgar Cantante
- Recolha de livros – Joaquim Raminhos
- Actividade teatral, acções espontâneas – Leonel Limão
- Actividade teatral e artística, zonas ribeirinhas – Diogo Correia

A próxima reunião foi agendada para dia 23 de Maio, às 15 horas, na Praia da Gorda.

Pelo MOP, Alhos Vedros
Luís Santos

"...uma boa definição de homem"

"[…] uma boa definição de homem, para além de suas limitações físicas, seria a de que é um ser de embrionária liberdade, cujo dever, cujo destino e cuja justificação é o da liberdade plena; plena para ele, plena para os outros, plena para os animais, plena para ervas, plena talvez até para seixo e montanha"

- Agostinho da Silva, “Nota a Cinco Fascículos” [1970], in Textos e Ensaios Filosóficos II, pp. 262-263.

Quem Quer Arroz Transgénico?

Por um um Outro Portugal, livre de transgénicos.




QUEM QUER ARROZ TRANSGÉNICO?
Manifesta! Hoje, 17 Abril, sábado, às 15h
Praça do Rossio, Lisboa
Aliados, Porto

No dia 17 de Abril vamos fazer homenagem ao arroz doce tradicional e pedir ao Ministro da Agricultura que vote contra a aprovação do arroz transgénico para Portugal e a União Europeia.

A introdução do arroz transgénico na agricultura é a sentença de morte de um alimento essencial, com 8.000 variedades conhecidas e parte integrante do espólio agrícola de Portugal. Mas apesar da resistência dos consumidores e de metade dos Estados-membros, a Comissão Europeia do Durão Barroso está muito empenhada em acalmar a impaciência de megacorporações como a Bayer e a Monsanto e dar as boas-vindas aos alimentos mutantes na Europa.

Ninguém pediu para comer transgénicos. Ninguém precisava de os comer. Quem beneficia a curto prazo com os transgénicos são uma dúzia de gigantes químicos e outra dúzia de produtores de aditivos para fastfood e rações para gado. Quem perde a médio prazo? Todos!

Os transgénicos ameaçam a nossa saúde, o meio ambiente e as economias locais. Contaminam outros cultivos, erodem o solo e destroem a agricultura familiar, agravando a fome no mundo. Como a coexistência com outras formas de produção não é possível, quem diz 'sim' a transgénicos terá de dizer adeus à biodiversidade.

Junte a sua voz à de milhões de consumidores e agricultores que um pouco por todo o mundo assinalam no 17 de Abril o dia internacional da luta contra os transgénicos e as patentes sobre a vida. Venha aos Aliados no Porto ou ao Rossio em Lisboa às 15h, para saborear um arroz doce biológico e animar a Manifesta!, mostrando que o nosso arroz é mais importante que as patentes e os lucros da Bayer.

Mais informações sobre arroz transgénico em www.stopogm.net

Alinhar à esquerda

Serge Latouche, porta-voz da filosofia do decrescimento

"É preciso descolonizar nosso imaginário. Em especial, desistir do imaginário econômico (...) Redescobrir que a verdadeira riqueza consiste no pleno desenvolvimento das relações sociais de convívio em um mundo são, e que esse objetivo pode ser alcançado com serenidade, na frugalidade, na sobriedade, até mesmo em uma certa austeridade no consumo material".

"Seja como for, nós não pretendemos impedir que uma sociedade, resolutamente decidida a se suicidar, o faça. Nós apenas esperamos que ela o faça sabendo o que está fazendo. A construção de uma sociedade de decrescimento é uma proposta. Não se trata aqui de impô-la a uma população que, em sua esmagadora maioria, não a deseja..." 

Serge Latouche

Podem ler a entrevista completa aqui. Ou um resumo no Outro.

A lusofonia não é lusófona, mas universal

A lusofonia não é lusófona, mas universal

(excerto)

A lusofonia não cobre um fundo cultural comum, mas é um espaço de eclosão cultural aberto. Não há uma cultura lusófona, nem as culturas que se encontram no espaço da lusofonia estão marcadas, de forma indelével, por uma mesma intencionalidade destinal. O que se pode dizer é que o espaço lusófono se apresenta ao mundo como a possibilidade de se romper com o regime logocêntrico que marca a vigência da metafísica ocidental enquanto configuração civilizacional criadora de uniformidade e instauradora dum fechamento onto-fenomenológico da experiência humana do mundo em relação ao horizonte grácil da emergência da vida espiritual veiculadora duma cultura eco-eudemoníaca, sem a anomalia sapiensial que separa o humano do animal, a sociedade da natureza, o terrestre do celeste.

A uniformização eurocêntrica leva à destruição das culturas ancestrais que eclodiram para lá dos constrangimentos do totalitarismo da mesmidade sem um avesso de si que a interpelasse à dissolução transmutadora. E aqui cabe uma chamada de atenção para algo que tem que ser atendido com seriedade: a instrumentalização da cultura portuguesa e do pensamento português, nascido à margem da metafísica sem um impulso interno para o outro de si, para os colocar ao serviço dum gesto totalitário análogo à totalitária imposição da mundividência eurocêntrica ao resto do mundo, não só se apresenta como um erro grotesco, como atraiçoa o sentido espiritual da expansividade da vida ética e do pensamento seminal para o ainda não pensado, para o preterido pela tradição metafísica ocidental, próprio do pensamento português e assumido por autores tão importantes quanto, por exemplo, Antero de Quental, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José Marinho, Eudoro de Souza, ou Agostinho da Silva, para só referir estes e para não referir os que hoje seguem na sua senda .
E a Língua Portuguesa não é constringente em termos espirituais e existenciais, ou seja, não aparece como um obstáculo até mesmo à sua ultrapassagem – tem sido um útero aberto à emergência de outras vias de apropriação linguística do mundo, coisa própria de uma língua viva, capaz de dar à luz outras línguas.

Por isso, qualquer tentativa de domesticar a língua, de a contratualizar em nome de imperativos económicos e políticos, é um passo na destruição da lusofonia, do que ela tem de mais original e imperioso para o mundo, a sua não constringência em termos espirituais.

A Língua Portuguesa não conhece fronteiras, não se institui como um território mental instaurador de barbarismos. Desse centro de divergência coalescente, não se vê nem estrangeiros nem bárbaros. Ter a Língua Portuguesa como Pátria, indo para além do lugar comum pessoano que tem sido usado para tudo e para nada, é não ser mais do que cidadão do Universo, encarado como o que, a cada instante, em cada um dos existentes e a cada um engloba numa corrente de transcensão transmutadora e re-criadora. É no diverso que se dá a patência da conversão plenificante ao que a tudo excede e, nesse excesso, tudo abraça num amplexo oceânico, sem fundo e sem margens.

- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), pp.20-21.

arevistaentre.blogspot.com

... no bom caminho por um parto mais saudável e respeitado!

A indução do trabalho de parto e o uso de fórceps ou de ventosas podem vir a ser procedimentos excluídos do conceito de parto normal, segundo um documento em análise na Direcção-Geral da Saúde (DGS).
"Pelo direito ao parto normal" é um projeto de promoção do parto natural "sem qualquer intervenção, mas assistido por profissional de saúde", proposto por um vasto grupo de especialistas em saúde reprodutiva.
A indução do trabalho de parto (com recurso a medicamento ou ruturas de membranas), o uso de fórceps, ventosas ou anestesia geral ficam, segundo esta proposta, excluídos da classificação de parto normal, bem como o nascimento por cesariana.

Noticia retirada na íntegra de http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10952818.html

Primeiro Guia de Assistencia ao Parto Domiciliar, Barcelona 2010

Foi publicado o 1º Guia de Assistência ao Parto Domiciliar, executado pelo Colégio Oficial de Enfermagem de Barcelona.

O trabalho foi realizado por uma equipa multidisciplinar, com bases em diversos artigos da literatura científica actual, relacionada com o Parto em Casa, na consulta das bases de dados da Biblioteca Cochrane, OMS, Medeine, CUIDEN e de guias de obstetrícia de países com tradição de partos domiciliares, como são a Holanda e a Inglaterra. Foram também consultadas para o efeito, as páginas web da OMS e da Royal College of Midwives, bem como foram realizadas diversas reuniões com uma equipa de assistência a partos domiciliares da Catalunha.


Este trabalho, pretende dar resposta à demanda social da participação da mulher e do casal na selecção do local do parto, conseguindo uma efectiva saúde perinatal, sensível aos aspectos psicológicos e culturais de cada mulher. Deste modo, é favorecida a liberdade individual e a autonomia para a realização de escolhas conscientes e informadas, respeitando as diferenças individuais, de acordo com o que é preconizado pelo movimento da Humanização do Parto e do Nascimento.

O documento visa a prossecução de 5 objectivos:

  • Informar e dar a conhecer a realidade actual do parto em casa
  • Respeitar o desejo de cada mulher e casal na escolha do local, da companhia e da forma de parir
  • Fomentar a participação activa da mulher e do casal nas decisões relacionadas com a saúde do seu filho
  • Reestabelecer a assistência pública domiciliaria do parto
  • Estruturar os critérios de actuação dos profissionais que assistem o parto em casa

Documento na íntegra em http://www.coib.cat/uploadsBO/Noticia/Documents/GUIA%20PART%20CASA_LLARGA.PDF

Lançamento do número 1 da revista Cultura ENTRE Culturas e de Uma Visão Armilar do Mundo - 3ª, 27, Largo do Alecrim, 70





Car@s Amig@s

Convido-vos para o lançamento do número 1 da revista Cultura ENTRE Culturas, por Frei Bento Domingues e Miguel Real, em conjunto com a apresentação do meu último livro Uma Visão Armilar do Mundo, por Paulo Teixeira Pinto. O Dr. Fernando Nobre associa-se ao evento, falando sobre o diálogo intercultural.

O acontecimento tem lugar no IADE Chiado Center - Rua do Alecrim, 70, na 3ª feira, 27, pelas 18.30

A revista Cultura ENTRE Culturas é uma revista internacional e intercultural por mim dirigida que publica ensaio, poesia e fotografia. A direcção artística é de Luiz Reys e a edição da Âncora Editora.

Comissão de Honra: François Jullien, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, Raimon Pannikar, Matthieu Ricard e Agostinho da Silva (In Memoriam).

Publica neste número inéditos de Vilém Flusser, François Jullien, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, Raimon Pannikar e Agostinho da Silva.

Ensaios e textos de Paulo Borges, Maria Sarmento, Paulo Feitais, Rui Lopo, Ricardo Ventura, Carlos Silva, Isabel Santiago, Amon Pinho, Miguel Real, Romana Valente Pinho e Inês Borges.

Poesia de Francisco Soares, Duarte Braga, Rui Fernandes, Luiza Dunas, Dirk Hennrich (aforismos), Francisco Soares e Donis de Frol Guilhade.

Fotografia de Beat Presser, Ilda Castro, Rui Fernandes, Francisco Soares e Adama.

O próximo número (Outubro de 2010) será dedicado a Fernando Pessoa e ao Diálogo Ocidente-Oriente, por ocasião dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa.

Propósitos:

1. Contribuir para o desenvolvimento de uma consciência-experiência integrais, multidimensionais, inter e trans-disciplinares do real e do que possa haver além-aquém do que como tal se designa, enriquecendo criativamente a vida e a existência mediante a compreensiva realização das suas supremas possibilidades.

2. Explorar antigas e novas possibilidades espirituais, mentais, éticas, artísticas, científicas, educativas, ecológicas, comunicacionais, sociais, políticas e económicas, alternativas à crise e declínio do paradigma civilizacional ainda dominante e que obedeçam ao soberano critério do melhor possível para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos.

3. Promover o conhecimento e diálogo entre culturas, civilizações, religiões e espiritualidades, bem como entre estas, o ateísmo e o agnosticismo, no espírito da mais ampla imparcialidade e
universalismo.

4. Contribuir para a harmonia e a não-violência na relação do homem consigo, com a natureza e com todos os seres sencientes, capazes de sentir dor, prazer e emoções.

5. Despertar e orientar para estes fins a cultura e a sociedade portuguesas, bem como a comunidade lusófona, valorizando e promovendo as tendências que nelas mais apontem neste sentido

....

Será para mim uma honra a vossa presença.

Saudações

Paulo Borges

Marcha contra a criação do Biotério da Azambuja - Hoje, 24 de Abril, 14.30 - Saldanha

A Fundação Champalimaud pretende construir um BIOTÉRIO COM 25 MIL JAULAS PARA PRODUÇÃO DE ANIMAIS, CUJA ÚNICA FINALIDADE É A EXPERIMENTAÇÃO (em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Universidade de Lisboa e em terrenos cedidos pelo município da Azambuja, Portugal).

A concretizar-se, esta “fábrica” de produção de animais será uma das maiores da Europa, cujos fins comerciais envolvem dinheiros públicos e cujo objectivo é a exportação de animais para todo o mundo, inclusive para países onde não existe qualquer legislação de protecção animal.

Vai realizar-se a 2ª Marcha contra a construção do Biotério da Azambuja, organizada pela Plataforma de Objecção ao Biotério - http://www.pob.pt.vu/

A concentração inicia-se pelas 14h30 do próximo Sábado, dia 24 de Abril, no Saldanha, em frente à Fundação Champalimaud (Atrium Saldanha) de onde sairá a marcha até à Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa.

A tua presença é fundamental e INSUBSTITUÍVEL!

VAMOS FAZER DE PORTUGAL UM MODELO DE CIÊNCIA SÉRIA E RESPONSÁVEL!
PENSAR ABRIL I


Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!

Viva o Zeca
Que nos fez acordar
De uma longa noite de trevas!

Viva a voz audaz de um povo,
Até então,
Calado,
Adormecido
Pelas vozes tirânicas
De um poder,
Sem dó!
Viva o 25 de Abril,
A consciência de um só grito,
Aberto,
Que nos iluminou o Futuro!

O Futuro?
Que Futuro?
O da politica demagógica?
O da falsa democracia?

O Futuro
Que já não se silencia?

O Futuro da expressão
De todas as cores?
Do rosa, do laranja,
Do vermelho, do verde
Ou do amarelo?

Viva o 25 de Abril,
O eco de pensamentos outros,
Do diálogo,
Ou da conversa fiada,
Da trama das ideologias
E da teoria da in-existência das ideologias!

Viva o 25 de Abril,
O amor e a paz,
Sempre adiadas,
Mesmo depois do ilusório apogeu
Da bem-dita guerra colonial,
Dos homens mutilados,
Dos corações de mulheres,
Despedaçados,
Das almas das crianças,
Órfãs,
Que assim nasceram
Á luz da promessa
De uma nova idade…

Isabel Rosete
PENSAR ABRIL II

Trinta e seis anos passados!
Restam-nos as memórias
Dos horrores da guerra
De uma sociedade que,
Em nome dos cravos vermelhos,
Um dia,
Ousou gritar:
Liberdade.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que fez cair
Um regime
Eternamente enraizado.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que arrancou,
Com todas as armas,
A tirania aos pretensos opressores
De um poder adulterado.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito ocultado,
Pelo véu da falsa ordem,

Há muito camuflado,
Sob a tríade:
Deus,
Pátria
E Família.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito velado,
Nos meandros da paupérrima cultura
De um Povo,
Que convinha manter calado.

Calado?
Sim, calado!
Em nome da ausência
Do Espírito Crítico,
Das mentes despertas
E do pensar astuto.

Trinta e seis anos passados!
E aqui estamos nós,
Quiçá,
Em uníssono,
A comemorar,
Com milhares de cravos vermelhos,
O grande acontecimento da Liberdade.

Liberdade?
Qual Liberdade?

Isabel Rosete

"Outro Portugal", Alhos Vedros

Acta 3, 18 de Abril de 2010

Presenças: Leonel, Diogo, Croca, Maribel, Edgar, Luís, Raminhos. A Fernanda Gil justificou antecipadamente a sua ausência por motivo de doença.

Ainda antes da leitura da acta da reunião passada o Raminhos informou que os livros que se pretendem juntar serão enviados para Timor e não para Cabo Verde, como inicialmente tinha sido pensado. Agendou-se o dia 15 de Maio como a data limite para a recolha dos livros para se proceder depois ao seu envio, ainda antes do final do ano lectivo.

De acordo com a reflexão feita na reunião anterior e com a identificação de algumas questões de interesse local, passou-se à definição de uma estratégia que permita passar à acção. Assim, os problemas identificados serão alvo de organização de sessões de reflexão e debate na Escola Aberta Agostinho da Silva e de, eventuais, publicações no Blogue/Revista “Estudo Geral”, de forma a, numa primeira fase, sensibilizar os participantes, para depois, numa fase posterior, se passarem a acções mais concretas.

Os problemas assinalados foram distribuídos pelos presentes da seguinte forma:
- Desarborização, desflorestação, zonas verdes – Manuel João Croca
- Património Histórico, Museologia – Luís Santos
- Planeamento urbano, degradação/recuperação dos núcleos urbanos – Maribel
- Animais Abandonados, campanha de adopção – Edgar Cantante
- Recolha de livros – Joaquim Raminhos
- Actividade teatral, acções espontâneas – Leonel Limão
- Actividade teatral e artística, zonas ribeirinhas – Diogo Correia

A próxima reunião foi agendada para dia 23 de Maio, às 15 horas, na Praia da Gorda.

Pelo MOP, Alhos Vedros
Luís Santos

"...uma boa definição de homem"

"[…] uma boa definição de homem, para além de suas limitações físicas, seria a de que é um ser de embrionária liberdade, cujo dever, cujo destino e cuja justificação é o da liberdade plena; plena para ele, plena para os outros, plena para os animais, plena para ervas, plena talvez até para seixo e montanha"

- Agostinho da Silva, “Nota a Cinco Fascículos” [1970], in Textos e Ensaios Filosóficos II, pp. 262-263.

Quem Quer Arroz Transgénico?

Por um um Outro Portugal, livre de transgénicos.




QUEM QUER ARROZ TRANSGÉNICO?
Manifesta! Hoje, 17 Abril, sábado, às 15h
Praça do Rossio, Lisboa
Aliados, Porto

No dia 17 de Abril vamos fazer homenagem ao arroz doce tradicional e pedir ao Ministro da Agricultura que vote contra a aprovação do arroz transgénico para Portugal e a União Europeia.

A introdução do arroz transgénico na agricultura é a sentença de morte de um alimento essencial, com 8.000 variedades conhecidas e parte integrante do espólio agrícola de Portugal. Mas apesar da resistência dos consumidores e de metade dos Estados-membros, a Comissão Europeia do Durão Barroso está muito empenhada em acalmar a impaciência de megacorporações como a Bayer e a Monsanto e dar as boas-vindas aos alimentos mutantes na Europa.

Ninguém pediu para comer transgénicos. Ninguém precisava de os comer. Quem beneficia a curto prazo com os transgénicos são uma dúzia de gigantes químicos e outra dúzia de produtores de aditivos para fastfood e rações para gado. Quem perde a médio prazo? Todos!

Os transgénicos ameaçam a nossa saúde, o meio ambiente e as economias locais. Contaminam outros cultivos, erodem o solo e destroem a agricultura familiar, agravando a fome no mundo. Como a coexistência com outras formas de produção não é possível, quem diz 'sim' a transgénicos terá de dizer adeus à biodiversidade.

Junte a sua voz à de milhões de consumidores e agricultores que um pouco por todo o mundo assinalam no 17 de Abril o dia internacional da luta contra os transgénicos e as patentes sobre a vida. Venha aos Aliados no Porto ou ao Rossio em Lisboa às 15h, para saborear um arroz doce biológico e animar a Manifesta!, mostrando que o nosso arroz é mais importante que as patentes e os lucros da Bayer.

Mais informações sobre arroz transgénico em www.stopogm.net

Alinhar à esquerda

Serge Latouche, porta-voz da filosofia do decrescimento

"É preciso descolonizar nosso imaginário. Em especial, desistir do imaginário econômico (...) Redescobrir que a verdadeira riqueza consiste no pleno desenvolvimento das relações sociais de convívio em um mundo são, e que esse objetivo pode ser alcançado com serenidade, na frugalidade, na sobriedade, até mesmo em uma certa austeridade no consumo material".

"Seja como for, nós não pretendemos impedir que uma sociedade, resolutamente decidida a se suicidar, o faça. Nós apenas esperamos que ela o faça sabendo o que está fazendo. A construção de uma sociedade de decrescimento é uma proposta. Não se trata aqui de impô-la a uma população que, em sua esmagadora maioria, não a deseja..." 

Serge Latouche

Podem ler a entrevista completa aqui. Ou um resumo no Outro.